O fato: Bridge pegou.
Saga, a detetive sueca, cabelos loiros sempre soltos, uma cicatriz no lábio que a torna ainda mais atraente, já rivaliza com Sarah Lund, de The Killing, outra série escandinava de sucesso internacional.
Algumas coisas ganham seus nomes, justamente por serem insuficientes, ou inexistentes. Liberdade por exemplo, qual significado teria se simplesmente fossemos livres? E se não buscássemos a liberdade? Por que definir algo, que não precisa de definição?
Neste viés, a intragável luta por direitos se choca com a intolerável e abundante vulgarização do estereótipo feminino, que de frágil, passou a forte, a fruta, de preferência, fruta proibida. Aos hipócritas e aos machistas de meia calça, mulher pelada às nove horas da noite, pintada na cor do carnaval, é símbolo de liberdade de expressão, é arte, cultura e tradição. Aos olhos das mulheres inibidas pelo conservadorismo neoliberalista, é um desrespeito a classe, uma vergonha explicita. Aos olhos do sistema econômico burguês, mulher é mercadoria, é objeto de desejo, e de consumo, e muitas vezes, se pode comprar. Mulher está na moda, desde os primeiros anos do século XX, quando lutaram por melhores condições de trabalho e de vida, e também por seus direitos ao voto. Lutaram e lutam para se equipararem aos homens ou para passarem os homens? E passaram, passaram longe e chegaram perto de uma vaidade hostil que se impregnou na visão multifacetada, que nós, homens, abstraia, nós seres humanos construímos dia após dia a respeito da mulher, que no âmbito da divisão de classes, rotula-se como independente, auto gestora, consciente de seu papel social, multifuncional, questionadora, arbitrária de suas próprias ações e muito, além disso, acima de qualquer julgamento masculino sob a pena do machismo indissolúvel, contudo a mercê de sua própria condenação, a por uma eternidade, manter-se fruta, sem casca, e muitas vezes, sem conteúdo.
Sobrepõe-se a mulher até mesmo as próprias mulheres, a família, a valorização não só de seu valioso hímen, como de sua comovente caminhada rumo à valorização de si, enquanto coisa, enquanto objeto de troca. Tem bunda no seguro, e não segura mais as pontas, mas segura todas as pontas, desfigurada com a descaracterização de todo seu movimento em prol de ser livre, para se auto afirmar na avenida, no sambódromo, no imaginário masculino, e nas roupas, nos nomes de fruta, na exposição despudorada e sem significados na mídia. Uma luta, cheia de pelegos.
As mulheres frutas, a nudez feminina (e também masculina) no carnaval, a mulher submissa não só ao homem, como a todas as formas de domínio, como a televisão, a beleza, a vaidade, e a sexualização precoce, são os estopins da revolução às avessas. É o caminho contrario ao que as mesmas proporam para a classe, que de classe em classe, tanto se dicotomizou, que já perdeu a classe. Caíram na armadilha ideológica burguesa, lutaram por si, e no auge de seu egocentrismo foram golpeadas com luvas de pelica, transformadas em mais uma classe dentre tantas outras, procurando definições, terminologias, que as expliquem, sem conseguirem ao menos compreender que o contexto de inserção exige abstrações no que tange o entendimento de classes, enquanto uma única. E nesse homem é homem, mulher é mulher, é que as raízes venenosas ramificaram-se, ervas daninhas se alastram por todos os lados, desfrutam de serem frutas comestíveis, e passageiras, são frutas de época, de estação, e os homens debocham da luta, sem razão, mas com razão, por que é injustificável que tantos conflitos tenham sidos findados em meia dúzia de direitos vazios, perdidos na vulgarização do corpo e da alma feminina, a qual respeito e admiro, não enquanto homem, porém, como ser humano, como individuo que preza pela totalidade e concretude nas relações humanas, sejam estas do sexo feminino, masculino, ou qual seja, sem perder de vista, que homens e mulheres são exemplos para si próprios, e seguem estes exemplos históricos, mudando, transformando, e as vezes regredindo.
Esclareça-se que não se trata aqui, ressaltar a guerra dos sexos, muito menos banalizar as conquistas históricas da mulher, que de certo são legitimas e relevantes. Não se trata de dividir mais ainda as classes, nem diminuir uma perante a outra, trata-se de não invisibilizar o cenário que se constrói a cerca dos estereótipos que levam nas costas, todas as minorias, inclusive as mulheres, que recebem as ordens difusas e paradigmáticas de como devem agir para manter a tal independência feminina, e nesse querer a liberdade, terminam por se aprisionar cada vez mais em imagens piores que criam de si mesmas. Basta notar como as meninas se vestem, brincam, imitam sua realidade adulta, deixando a inocência junto com os primeiros anos do século XX quando ser mulher era desigualdade, submissão, e deixando por roupas sensuais, conversas sobre meninos, namoro, maquiagem, vaidade. Antes a repressão tendo o fruto da inteligência, da luta, da integridade e da união do que tendo a mulher como fruta na televisão sendo o referencial de tantas outras.

A ação midiática tem sua razão de ser. Quando Bush visitou o Brasil, em 2007, milhares de pessoas protestaram no Brasil inteiro. Pude acompanhar as manifestações no Rio de Janeiro, onde consulado estadunidense ficou todo pintado, assim como bancos ianques. O lado triste é que nossa polícia, composta por gente do nosso povo, agrediu os manifestantes.
E é exatamente isso que pode acontecer quando Obama chegar ao Rio no próximo domingo, dia 20. Se milhares saíram às ruas da capital fluminense quando Bush esteve em Brasília, o que podemos esperar quando Obama pisar no Rio? É certo que Obama não é Bush, mas se os ideólogos ianques estivessem tranquilos não haveria necessidade de investir tanto em ações midiáticas.
O Rio de Janeiro tem características específicas, assim como qualquer outra capital. No caso do povo fluminense, ex-capital da República, ex-capital da Colônia, palco de uma mistura infinita de religiões, raças e ideologias, acabamento perfeito da miscigenação de que fala Darcy Ribeiro. Por tudo isso e muito mais, trata-se de uma região cuja capacidade de rebelião não pode ser subestimada. Em 2007, uniram-se partidos de esquerda, movimentos sociais e grupos anarquistas contra a chegada de Bush. Deram uma demonstração clara de que parte expressiva do povo brasileiro não aceitava a política de guerra preventiva, Guantánamo e Abuh Graib de Bush. A aliança será mantida agora, quatro anos depois? Que fenômeno político terá mais relevância no dia 20: o protesto das massas ou a plateia inebriada pelas palavras e imagens sedutoras das corporações de mídia?
A visita de Obama acontece num momento de declínio do império ianque, que apesar disso ainda é a maior economia e a maior potência militar do planeta. No plano interno, o presidente estadunidense tem tido dificuldades de levar adiante sua agenda, ou pelo menos a agenda que foi prometida na campanha. Os EUA seguem invadindo Iraque e Afeganistão, e não conseguiram implementar um sistema público de saúde universal, duas de suas principais bandeiras de campanha.
Em artigo recente, o cineasta Michael Moore destaca um terceiro ponto: o roubo do povo pelos agentes do sistema financeiro, que com a “crise” de 2008 receberam bilhões de dólares do erário com a chantagem de que sem essa transferência haveria uma quebradeira generalizada.
O Brasil, por outro lado, é o país com maior população, maior PIB, maior território e mais riquezas naturais da América Latina. Nos últimos oito anos, milhões de pessoas saíram da miséria e ingressaram na classe média. O mercado de consumo avança, o emprego cresce e as obras não param em todo o território nacional.
No cenário internacional, o Brasil é um país cada vez mais respeitado. Saímos da posição de expectadores para a condição de um ator relevante. Somos escutados, requisitados para mediar conflitos, duplicamos nossas representações diplomáticas em todo o mundo e temos boas probabilidades de ingressar como membro efetivo do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Nos últimos anos, ao contrário do que certos colunistas afirmam, o Brasil não manteve uma posição de enfrentamento aos EUA. Nós simplesmente passamos a expressar nossas próprias opiniões – isso sim incomodou àqueles que só enxergam o Brasil seguindo ordens de Washington.
Na nova ordem multilateral seguida pelo Brasil, ampliamos nossas relações comerciais com nossos vizinhos latino-americanos e estabelecemos novas negociações com outros parceiros, especialmente países africanos e árabes. O eixo Sul-Sul foi fortalecido, de modo que, proporcionalmente, foi reduzida a relevância (e com isso a influência) da relação com os Estados Unidos.
Nessa conjuntura, Obama deve vir ao Brasil com um discurso de conciliação. Vai querer ganhar o apoio do “gigante do Sul” para a sua esfera de influência, e dessa forma reforçar sua disputa global com China e União Europeia. No plano interno, uma aproximação comercial com o gigante do sul pode dar uma sobrevida ao país em crise. Mas quais seriam as consequências para a integração latino-americana?
A Agência que a veicula é a Last Minute Travel, pelo que sei uma agência européia. O Comercial é preconceituoso e sexista deste o princípio, cheio de estereótipos em relação à mulher estrangeira ou à brasileira, mas a escolha de uma mulher negra, vestida de verde e amarelo, rebolando ao som de uma batucada não é gratuita.
Voltarei a falar desta escolha outra hora, com menos raiva do que estou sentido ao ver peça publicitária de uma empresa de 5ª categoria no mês de março, mês de luta pelos direitos das mulheres, fazendo um serviço tão porco. Parece que voltamos às representações da década de 1970!
Assista o vídeo e tire suas próprias conclusões: