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25 fevereiro 2013

Porque o monopólio emburrece?



E é anunciada a segunda temporada do seriado escandinavo The Bridge. Os ingleses ficam felizes. A série passa na tevê britânica com legendas.

O fato: Bridge pegou.

Saga, a detetive sueca, cabelos loiros sempre soltos, uma cicatriz no lábio que a torna ainda mais atraente, já rivaliza com Sarah Lund, de The Killing, outra série escandinava de sucesso internacional.


Antes que eu fale sobre a história, a pergunta essencial: por que no Brasil não fazemos nada que preste na televisão? Por que somos humilhados em qualidade até pela Escandinávia com seus recursos limitados?

Tenho minha tese: a estética da novela massacra a criatividade. Filmes e séries no Brasil têm uma semelhança irritante com as novelas da Globo. Mesmos atores, mesmos diretores, mesma limitação, mesma falta de surpresa e inovação.

O florescimento do cinema e da tv na Escandinávia está conectado ao grupo Dogma, um conjunto de cineastas iconoclastas e brilhantes entre os quais se destacava Lars von Trier, um dos últimos gênios da direção. The Bridge é um dos filhos do Dogma.

Nosso Dogma, lamentavelmente, é a novela das 9. Que não faz você pensar, e sim tomar cerveja. Me conta um amigo publicitário que em Avenida Brasil tudo era motivo para tomar cerveja, por causa do dinheiro colocado pela Ambev não em propaganda direta, mas no controvertido e perigoso ‘product placement’, o popular mercham. Nele, você consome publicidade disfarçada no meio do conteúdo.

Quer dizer, os personagens da novela bebiam desmedidamente cerveja não porque tivessem propensão a alcoolismo, mas por conta de um contrato milionário firmado pela Globo. Na Inglaterra, bebidas alcoólicas são proibidas de aparecer subliminarmente, para que não seja estimulado um hábito ruim para a saúde.

A história de The Bridge gira em torno de um cadáver descoberto na ponte que liga Suécia e Dinamarca. Dois, na verdade. O corpo parece ter sido serrado no meio. Mas a perícia logo descobre que a parte de cima é de uma mulher e a de baixo de outra.

Logo aparece Saga, absolutamente desinibida, e domina a trama. Quando quer sexo, ela vai a um bar e escolhe um homem. Depois leva para seu apartamento. Saciada, volta ao trabalho de investigação e esquece o homem. O melhor diálogo da série é entre ela e seu parceiro de polícia.

“Que você fez ontem?”, ele pergunta.

“Sexo”, ela responde, com a naturalidade que teria se tivesse dito que foi visitar uma velha tia reumática.

As novelas brasileiras não emburrecem apenas o público. Também os diretores e atores ficam mais burros.

Tropa de Elite 1 poderia ser a semente de uma renovação. Mas não foi nada. A sequência já parecia uma paródia. Triunfou o espírito das novelas.

Maldição eterna a elas.

07 fevereiro 2013

Sobre o carnaval

É próprio da raça humana a celebração, a festa, seja ela religiosa ou profana, seja coletiva ou particular. Mas o que é celebrar? Celebrar é realizar, festejar, comemorar com solenidade, exaltar; enaltecer, elogiar publicamente. Mas o que temos para celebrar?

Com essa indagação fico pensando que podemos tomar a evolução do carnaval no Brasil do século passado como um recorte explicativo das transformações e manutenções do poder ocorridas nacional e internacionalmente na sociedade.

Começamos o século com uma grande tensão internacional, que veio degenerar em uma guerra mundial com suas centenas de milhares de mortes, mas tínhamos Carmem Miranda para animar as tropas com suas marchinhas e chanchadas.

Como a Primeira Grande guerra engatilhou a Segunda e a revolução de 1930, a Era Vargas, também o Brasil evoluía em sua capacidade de vencer-se no que tinha de mais peculiar: sua afinidade irrefletida para a festa sem se ter o que festejar!  E, assim, saímos dos salões de bailes e ganhamos as ruas, não para protestar e levantar nossas vozes, mas para crescer a festa e a voz dos que jogavam confetes e serpentinas para o nazi-fascismo que imperava lá e cá. E, então, em meados de 1940, consolida-se um novo modelo de relações internacionais, período que também foi batizado com nome de guerra – Fria. E na Terra Brasilis? Bem, aqui surge o trio elétrico e uma tentativa democrática, que fracassa pelo Golpe Militar de 1964 e reforça a ideia de que atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu ( nos porões da Ditadura). E o único coro que valeria a pena ( o dos descontentes) é amordaçado pela censura.

Voltamos a ter uma tentativa de democracia: Diretas Já! O Tio Sam nos permite uma certa autonomia política, mas não econômica; a divida interna e externa crescem e a indústria fonográfica também: explode o axé e o carnaval se internacionaliza para o novo mundo globalizado.

Somos atração para o globo, um modelo de (anti?) cultura. Dominamos o mundo em fevereiro! Apimentamos Woodstock, com isso, 'sexo, drogas e rock’n’rol' tornam-se prostituição, drogas e gingado tipo exportação.

Em última análise, sociologicamente falando, carnavalizamos a miséria, a corrupção e a divisão de classes com uma única corda, que separam os associados dos que pulam fora do trio (carinhosamente conhecidos como ‘pipocas’). Que antes todos pulassem fora da alienação e engrossassem a marcha dos protestos que sempre existem, pois esse pode ser o país do carnaval, mas não pode ser, com certeza, o nosso país.

04 janeiro 2013

Nova era na Igreja Católica

No início do século XVIII a história intelectual e cultural Ocidental passou por uma verdadeira revolução. Foi o chamado Iluminismo. Só para ilustrar o momento, cito a Revolução Francesa e a queda da maioria dos Estados absolutistas europeus. 

A Igreja Católica então perdeu poder, já que sobrevivia acoplada aos Estados, como sanguessuga. Foi o momento em que os Estados se tornaram laicos. Acredito que no momento atual, a Igreja Católica esteja passando por uma segunda fase do Iluminismo. Alguns pontos fundamentais que a levará a sobreviver pelo menos mais mil anos:

O Papa perderá sua "infalibilidade".

O Papa terá que permitir o casamento dos padres, já que poucos sobreviverão ao “tsunami pedofílico” que varre a instituição como um todo. As mulheres atingirão postos mais altos na hierarquia da Instituição (na Alemanha existe uma certa pressão nessa direção).

Terá que cair também o silêncio em torno da proibição dos padres reconhecerem seus filhos. Isso é mais uma vergonha no seio da Igreja Católica. A Instituição medieval nega o direito básico dessas crianças. A negação da paternidade é tão vergonhosa quanto a pedofilia crônica na Igreja. Pena que o Papa hoje em Malta expresse "dor e vergonha" apenas às vítimas de pedofilia.

Já li diversos livros com depoimentos de mulheres e filhos de padres, de cortar o coração. Crianças que se tornaram desajustadas, sem referência paterna. Muitas vezes tiveram que viver na mesma casa com os pais (aquela velha história da governanta do padre. O irmão do papa ‘cara de águia’ também vive com uma “governanta”) e mentir para o mundo exterior o que viviam na residência do ‘representante de Deus na terra” no interior. 

Espero que quando esse tsunami surja na mídia, a Igreja e o papa não venham dizer que não sabiam do caso. E vejam, essa Igreja que calou durante séculos sobre a pedofilia e a existência de filhos de padres sem o reconhecimento da paternidade é a mesma que condena o aborto.

É muita hipocrisia!

Acredito, porém que depois da catarse pela qual a velha instituição passa, virá a bonança. Surgirá uma Igreja mais limpa do autoritarismo cáustico e das mentiras que a tem dominado por tantos séculos.

18 novembro 2011

Defina a mulher. Transforme-a em fruta.

Algumas coisas ganham seus nomes, justamente por serem insuficientes, ou inexistentes. Liberdade por exemplo, qual significado teria se simplesmente fossemos livres? E se não buscássemos a liberdade? Por que definir algo, que não precisa de definição?

Neste viés, a intragável luta por direitos se choca com a intolerável e abundante vulgarização do estereótipo feminino, que de frágil, passou a forte, a fruta, de preferência, fruta proibida. Aos hipócritas e aos machistas de meia calça, mulher pelada às nove horas da noite, pintada na cor do carnaval, é símbolo de liberdade de expressão, é arte, cultura e tradição. Aos olhos das mulheres inibidas pelo conservadorismo neoliberalista, é um desrespeito a classe, uma vergonha explicita. Aos olhos do sistema econômico burguês, mulher é mercadoria, é objeto de desejo, e de consumo, e muitas vezes, se pode comprar. Mulher está na moda, desde os primeiros anos do século XX, quando lutaram por melhores condições de trabalho e de vida, e também por seus direitos ao voto. Lutaram e lutam para se equipararem aos homens ou para passarem os homens? E passaram, passaram longe e chegaram perto de uma vaidade hostil que se impregnou na visão multifacetada, que nós, homens, abstraia, nós seres humanos construímos dia após dia a respeito da mulher, que no âmbito da divisão de classes, rotula-se como independente, auto gestora, consciente de seu papel social, multifuncional, questionadora, arbitrária de suas próprias ações e muito, além disso, acima de qualquer julgamento masculino sob a pena do machismo indissolúvel, contudo a mercê de sua própria condenação, a por uma eternidade, manter-se fruta, sem casca, e muitas vezes, sem conteúdo.

Sobrepõe-se a mulher até mesmo as próprias mulheres, a família, a valorização não só de seu valioso hímen, como de sua comovente caminhada rumo à valorização de si, enquanto coisa, enquanto objeto de troca. Tem bunda no seguro, e não segura mais as pontas, mas segura todas as pontas, desfigurada com a descaracterização de todo seu movimento em prol de ser livre, para se auto afirmar na avenida, no sambódromo, no imaginário masculino, e nas roupas, nos nomes de fruta, na exposição despudorada e sem significados na mídia. Uma luta, cheia de pelegos.

As mulheres frutas, a nudez feminina (e também masculina) no carnaval, a mulher submissa não só ao homem, como a todas as formas de domínio, como a televisão, a beleza, a vaidade, e a sexualização precoce, são os estopins da revolução às avessas. É o caminho contrario ao que as mesmas proporam para a classe, que de classe em classe, tanto se dicotomizou, que já perdeu a classe. Caíram na armadilha ideológica burguesa, lutaram por si, e no auge de seu egocentrismo foram golpeadas com luvas de pelica, transformadas em mais uma classe dentre tantas outras, procurando definições, terminologias, que as expliquem, sem conseguirem ao menos compreender que o contexto de inserção exige abstrações no que tange o entendimento de classes, enquanto uma única. E nesse homem é homem, mulher é mulher, é que as raízes venenosas ramificaram-se, ervas daninhas se alastram por todos os lados, desfrutam de serem frutas comestíveis, e passageiras, são frutas de época, de estação, e os homens debocham da luta, sem razão, mas com razão, por que é injustificável que tantos conflitos tenham sidos findados em meia dúzia de direitos vazios, perdidos na vulgarização do corpo e da alma feminina, a qual respeito e admiro, não enquanto homem, porém, como ser humano, como individuo que preza pela totalidade e concretude nas relações humanas, sejam estas do sexo feminino, masculino, ou qual seja, sem perder de vista, que homens e mulheres são exemplos para si próprios, e seguem estes exemplos históricos, mudando, transformando, e as vezes regredindo.

Esclareça-se que não se trata aqui, ressaltar a guerra dos sexos, muito menos banalizar as conquistas históricas da mulher, que de certo são legitimas e relevantes. Não se trata de dividir mais ainda as classes, nem diminuir uma perante a outra, trata-se de não invisibilizar o cenário que se constrói a cerca dos estereótipos que levam nas costas, todas as minorias, inclusive as mulheres, que recebem as ordens difusas e paradigmáticas de como devem agir para manter a tal independência feminina, e nesse querer a liberdade, terminam por se aprisionar cada vez mais em imagens piores que criam de si mesmas. Basta notar como as meninas se vestem, brincam, imitam sua realidade adulta, deixando a inocência junto com os primeiros anos do século XX quando ser mulher era desigualdade, submissão, e deixando por roupas sensuais, conversas sobre meninos, namoro, maquiagem, vaidade. Antes a repressão tendo o fruto da inteligência, da luta, da integridade e da união do que tendo a mulher como fruta na televisão sendo o referencial de tantas outras.

16 novembro 2011

O Mito da Caverna: Mídia e o desenvolvimento do capitalismo

O Mito da caverna de Platão foi escrito no livro VII de A República mais ou menos 2000 anos antes de Cristo. O que me faz acreditar que ele ainda tem algo de importante hoje? Por que este diálogo de Sócrates com Glauco e Adimato é tão lido e tido como uma das melhores metáforas de todos os tempos? E sobretudo, como podemos interpretá-lo hoje, relacionando-o com o poder instituído e a mídia? Estas e algumas outras questões perpassaram esta minha pequena reflexão.

Como já citei, o mito da caverna foi uma metáfora que Platão utilizou para demonstrar em seu diálogo, através de Sócrates, o quanto os cidadãos estavam presos às crendices e superstições. Sinteticamente? E reelaborando? o mito conta que haviam três homens dentro de uma caverna. Ambos estavam virados para o fundo dela. Nasceram e cresceram assim. Ficavam contemplando a escuridão e apenas um feche de luz lhes era possível enxergar. Contudo, certo dia, um destes, voltou-se para o outro lado e quase que cegado pela claridade vista lá do fundo, foi acostumando seus olhos até que conseguira, aos poucos, sair da caverna. Vislumbrado com tantas cores, com a natureza e a quantidade de coisas diferentes que havia fora da caverna, voltou para contar aos seus amigos. Mas, ambos não acreditaram nele e revoltos com tanta mentira, o mataram!

Platão divide o mundo em duas realidades: a sensível, que se percebe através dos sentidos e a inteligível (ou mundo das idéias). O mundo dos conceitos é onde está toda a verdade e o mundo sensível é apenas uma cópia imperfeita dele. O Bem é a verdade maior e abaixo dele estão as verdades absolutas, fixas, eternas e imutáveis. Para ele, as cadeiras, por exemplo, que sentamos diariamente, são apenas cópias imperfeitas Da Cadeira. Ou seja, apesar de todos os modelos de cadeiras do mundo apresentarem diferenças, existe a cadeira, que congrega em si as características das quais foram copiadas as cadeiras sensíveis. E é assim com tudo o que percebemos no mundo.

É perfeitamente possível relacionar a filosofia platônica, sobretudo o mito da caverna com nossa realidade atual. Para constar, nossa sociedade contemporânea é constituída basicamente do cristianismo e do capitalismo, e o mundo, portanto, numa visão cristã, está dividido em mundo das idéias (céu) e mundo sensível (cotidiano) - o inferno cristão, que parece ter sido tirado da idéia de mundo sensível de Platão, veio depois, vamos desconsiderá-lo aqui -. E numa visão capitalista, o mundo das idéias, ou ideal, parece ser a satisfação de todas as necessidades financeiras e o mundo sensível, sua privação.
A partir desta leitura, posso fazer uma reflexão extremamente proveitosa. Apesar do cristianismo estar muito forte ainda hoje e ter muita influência, inclusive política e midiática, vou deixá-lo de lado também, afim de focar-me em nossa prioridade, no momento: o capitalismo x mídia.

Na verdade, a idéia que trarei de capitalismo seria mais apropriada se chamado de modernidade, pois não estarei me referindo apenas ao sistema financeiro, mas todas suas conseqüências e influências. Quando surgiu, o capitalismo se opôs radicalmente à Idade Média e propunha elevar a humanidade a um patamar superior, melhorá-la, dando acesso ao suprimento das necessidades básicas a todos os seres humanos. Mas, como bem sabemos, não foi o que aconteceu. Nunca houve tantas barbáries na história do ocidente, tampouco tanta exclusão social e degradação humana e do ambiente. Hoje, sei que se ele continuar desenvolvendo-se trará nossa extinção.

Todavia, grande parte das pessoas do mundo todo, não estão muito preocupadas com isso, ou sequer se deram conta do tamanho do problema para todos nós. Isso graças, em grande parte à mídia. Voltando à metáfora da caverna, o capitalismo utiliza-se dos grandes meios de comunicação para poder criar e perpetuar a caverna para a grande massa. De que forma? Uma das formas mais conhecidas é criando necessidades, tidas como essenciais e depois, vendendo suas soluções. Ou seja, hoje é necessidade básica ter computador com acesso à internet. Quem não o tem, está excluído da sociedade, de forma que até o emprego fica difícil conseguir e sendo assim, sem emprego, sem dinheiro pra poder sanar suas necessidades, indigno de participar do convívio social. E o que já não me surpreende é a relevância do mito, por exemplo: hoje existe muita informação denunciando a alienação que causam as novelas (e afins), criando realidades paralelas e preocupações alheias; sobre a forma que os políticos também se utilizam da mídia para esconder a usurpação do poder , as corrupções, etc. Mas, as pessoas, em geral, cotidianamente matam estas informações, escolhendo ainda o fundo da caverna. Será que por uma pré-disposição a serem enganadas? Por mero comodismo? Não nos é possível saber ainda.

Talvez, com o capitalismo continuando a desenvolver-se, com ajuda da mídia, surgirá outra ou outras espécies (até advindas da nossa, quem sabe?) e que dirão: como aqueles humanos conseguiram ficar tanto tempo dentro da caverna?

Achei uma HQ bastante interessante sobre este tema, leia e reflita:










15 novembro 2011

Plantando a semente do reacionarismo

Embora as pessoas que me conheçam já saberem a minha opinião sobre os eventos recentes ocorridos na Universidade de São Paulo, resolvi esperar os fatos se desenrolarem para, enfim, escrever sobre o assunto, sem precipitações. Em primeiro lugar quero declarar que acho que foi um erro a decisão dos setenta e poucos alunos de invadir a reitoria, mesmo sendo derrotados em assembléia. O direito de manifestação é legítimo, mas o respeito pelo desejo expresso pela maioria deve ser princípio para quem se dispõe à luta política, mesmo que defendam reivindicações justas.

Seria redundante voltar a afirmar que o Reitor Rodas se aproxima do fascismo ao tomar decisões autoritárias sem ouvir os representantes de estudantes, professores e funcionários. Da mesma forma, repetitivo seria lembrar o despreparo da PM para lidar com estudantes e o seu ignóbil entendimento da mensagem dada pelos legisladores para a mudança da lei de entorpecentes: Usuário não é bandido, e que a invasão da universidade pela tropa de choque da PM foi a decisão mais imbecil que o reitor e o governador poderiam ter tomado. Isso tudo já foi bem dissecado em excelentes artigos de colegas blogueiros e jornalistas independentes.

O argumento de que a maioria dos estudantes estaria contra as decisões do movimento estudantil é uma falácia daqueles que são incapazes de criar maiorias. Estes são uma meia dúzia de reaças que se intitulam porta-vozes daqueles que não se mobilizam. A maioria não se mobiliza porque vivemos em uma sociedade alienada, que encantada pela baboseira do que vê e lê na mídia, vota em branco e nulo nas eleições. Se existe uma maioria contra, que compareçam às assembléias e façam valer seus interesses, ou se não suportam conviver com “diferenciado” elejam representantes para os DAs e DCE, criem um movimento dissidente, decidam em assembléias válidas, e aí então reivindiquem a representação dos estudantes se conseguirem reunir mais alunos, porque é assim que está baseada a nossa democracia, no sistema de representatividade, e os que são ativos politicamente decidem por aqueles que se omitem.

O que está me preocupando bastante é a forma como os reacionários estão saindo dos porões na esteira da cobertura jornalística neolacerdista, e se valendo do uso de adjetivação pejorativa usada por analistas políticos ávidos para agradar aos patrões, sentem-se a vontade para expor os mais sórdidos desejos autoritários. A baixaria estimulada e permitida na área de comentários dos grandes portais se equivale no caso da USP e da cobertura da enfermidade do Lula. Uma lixeira sem tampa que rebaixa o homem na escala de evolução.

As palavras “desordeiro” e “maconheiro” são repetidas à exaustão em uma técnica de desqualificação que deixaria Goebbels envaidecido. A sensação que dá é que voltamos aos anos 70 e o que durante algumas décadas era considerado vergonhoso de se defender, hoje é motivo de orgulho. Uma pesquisa recente mostra que a parte da população que preza os valores democráticos passou a menos de 50%, e mesmo que se possa questionar a validade científica desses dados, o resultado mostra que devemos começar a nos preocupar.

Quanto mais nos afastamos do período da Ditadura, mais gerações que não conheceram os horrores causados por esta, atingem faixa etária em que se iniciam na atividade política, e com a popularização da internet, a tendência que sejam cada vez mais precoces e totalmente sujeitos a manipulação de opinião pelas cobras criadas. O duro mesmo é ver determinadas pessoas que se dizem de esquerda apoiando repressão violenta contra estudantes, em que parte do caminho nos desvirtuamos? mas a Comissão da Verdade é uma oportunidade única de refrescar a memória dos mais velhos e ensinar aos mais jovens, que se hoje têm o direito de espinafrar o governo, isso foi conquistado às duras penas por aqueles que lutaram contra a repressão.

O perigo maior é a médio e longo prazo, quando as sementes que eles estão plantando agora derem seus frutos estragados. Está muito claro para mim, que com esse bombardeio de reacionarismo estão cultivando uma sociedade ainda mais conservadora e reacionária que a que temos hoje. Os movimentos sociais e militância que não abram os olhos ou veremos em breve um filme de roteiro repetido.

30 julho 2011

Copa do Mundo e Hipocrisia

Jamais imaginei que um dia o esporte, especialmente, o futebol, que gosto muito desde minha infância, fosse cooperar tanto para a concreticidade da hipocrisia no Brasil. Pensar que a Copa do Mundo um dia seria no Brasil foi um sonho acalentado por muitos esportistas brasileiros, mas, jamais, associado ao contra-senso.

Aliar o futebol ao interesse de todas as classes sociais do país é uma lógica. Por conta da difusão desse esporte Brasil afora, se vê, um campo de futebol de várzea em cada rincão, um estádio razoável aqui outro ali, um belo estádio nas capitais, e, assim por diante. É inegável a força do futebol no Brasil. Mas tem que ser dito: é uma força de lazer que se tornou mercadológica. Unicamente.

Mesmo assim, continuo gostando e curtindo o futebol, e o meu time do coração.

O que não posso fazer e admitir que futebol e a Copa do Mundo no Brasil seja interesse público. Uma verdadeira hipocrisia.

Direi o motivo. Em que pese os benefícios diretos e indiretos que a Copa do Mundo trará ao país, em especial às capitais onde acontecerão os jogos, jamais se deve tratar o assunto como essência. Do contrário, se estará fazendo um viés deplorável de política pública.

A essência é: cuidar sempre da coisa pública sob a ótica de que saúde, educação, moradia, segurança pública, transporte, infra-estrutura e lazer (digo lazer no sentido de prática por todos os cidadãos) são elementos indissociáveis do interesse público.

Independentemente de Copa do Mundo, esses elementos deveriam ser tratados como prioridade máxima. Não são.

Jamais uma Copa do Mundo poderia receber o tratamento privilegiado frente aos verdadeiros interesses do povo brasileiro. COPA DO MUNDO “NÃO É DE” E “NÃO É” INTERESSE PÚBLICO. Que não se cometa um crime por meio de um viés.

O nosso povo sofre diariamente diante de filas intermináveis para atendimentos de saúde em hospitais com estruturas podres; sofre pela falta de eficiência na segurança pública, convivendo com mortes brutais nas ruas e dentro de suas próprias casas; se vê indignado com ruas esburacadas, com falta de esgotos e água tratada; vê seus filhos freqüentando escolas sucateadas; dentre outras. Isso, por si só, não é o verdadeiro motivo do interesse público? Sim, isso “é de” Interesse Público, e, priorizar “é” Interesse Público. É tornar essência a política verdadeira do combate e da solução. É proporcionar dignidade com dignidade, independente de Copa do Mundo, independente do motivo ser o turista.

Por isso, CIDADÃO BRASILEIRO, SE INDIGNE! JAMAIS ACEITE DIZER, AFIRMAR, QUE UMA COPA DO MUNDO NO BRASIL “É” OU “É DE” INTERESSE PÚBLICO! Pode até ser qualquer outro interesse, como sócio-recreativo, mercadológico, etc.

Os benefícios decorrentes não podem ser vistos como de Interesse Público, pois são benefícios conquistados por meio de um viés político. Logo, não podem ser ditos de Interesse Público, ainda que de grande utilidade.

27 julho 2011

Algo sobre a união homoafetiva...


O grupo GLBT não quer ser diferente: ele só quer ser assim, como você, ter seus direitos respeitados, poder ter dignidade e não ser um cidadão de segunda classe, como era até então.

O que é uma família? Ela se baseia na identidade sexual das pessoas que a ela pertencem ou ao ambiente nela existente? Uma família composta por filhos e mãe solteira é menos família do que aquela composta por um casal heterossexual? E aquela composta por pais divorciados? O que define a família é o ambiente que existe, e esse pode existir independentemente de quem a componha.

06 março 2011

Sobre o carnaval

É próprio da raça humana a celebração, a festa, seja ela religiosa ou profana, seja coletiva ou particular. Mas o que é celebrar? Celebrar é realizar, festejar,comemorar com solenidade, exaltar; enaltecer, elogiar publicamente. Mas o que temos para celebrar?

Com essa indagação fico pensando que podemos tomar a evolução do carnaval no Brasil do século passado como um recorte explicativo das transformações e manutenções do poder ocorridas nacional e internacionalmente na sociedade.

Começamos o século com uma grande tensão internacional, que veio degenerar em uma guerra mundial com suas centenas de milhares de mortes, mas tínhamos Carmem Miranda para animar as tropas com suas marchinhas e chanchadas.

Como a I Grande guerra engatilhou a Segunda e a revolução de 1930, a Era Vargas, também o Brasil evoluía em sua capacidade de vencer-se no que tinha de mais peculiar: sua afinidade irrefletida para a festa sem se ter o que festejar!. E , assim, saímos dos salões de bailes e ganhamos as ruas, não para protestar e levantar nossas vozes, mas para crescer a festa e a voz dos que jogavam confetes e serpentinas para o nazi-fascismo que imperava lá e cá. E, então, em meados de 1940, consolida-se um novo modelo de relações internacionais, período que também foi batizado com nome de guerra – Fria. E na Terra Brasilis ? Bem, aqui surge o trio elétrico e uma tentativa democrática, que fracassa pelo Golpe Militar de 1964 e reforça a idéia de que atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu ( nos porões da Ditadura). E o único coro que valeria a pena ( o dos descontentes) é amordaçado pela censura.

Voltamos a ter uma tentativa de democracia: Diretas Já! O Tio Sam nos permite uma certa autonomia política, mas não econômica; a divida interna e externa crescem e a industria fonográfica também: explode o axé e o carnaval se internacionaliza para o novo mundo globalizado.

Somos atração para o globo, um modelo de (anti?) cultura. Dominamos o mundo em fevereiro! Apimentamos Woodstock, com isso, 'sexo, drogas e rock’n’rol' tornam-se prostituição, drogas e gingado tipo exportação.

Em última análise, sociologicamente falando, carnavalizamos a miséria, a corrupção e a divisão de classes com uma única corda, que separam os associados dos que pulam fora do trio (carinhosamente conhecidos como ‘pipocas’). Que antes todos pulassem fora da alienação e engrossassem a marcha dos protestos que sempre existem, pois esse pode ser o país do carnaval, mas não pode ser, com certeza, o nosso país.

17 setembro 2010

Voto: direito ou dever?

A cada tanto tempo, o tema reaparece: como o voto, de um direito se transformou em um dever? Reaparecem as vozes favoráveis ao voto facultativo.

A revista inglesa The Economist chegou, em artigo recente, a atribuir à obrigatoriedade do voto, as desgraças do liberalismo. Partindo do supostos – equivocado – de que os dois principais candidatos à presidência do Brasil seriam estatistas e antiliberais, a revista diz que ao ser obrigado a votar, o povo vota a favor de mais Estado, porque é quem lhe garante direitos.

Para tomar logo um caso concreto de referência, nos Estados Unidos as eleições se realizam na primeira terça-feira de novembro, dia de trabalho – dia “útil”, se costuma dizer, como se o lazer, o descanso, foram inúteis, denominação dada pelos empregadores, está claro -, sem que sequer exista licença para ira votar, dado que o voto é facultativo. O resultado é que votam os de sempre, que costumam dar maioria aos republicanos, aos grupos mais informados, mais organizados, elegendo-se o presidente do pais que mais tem influência no mundo, por uma minoria de norteamericanos. Costumam não votar, justamente os que mais precisam lutar por seus direitos, os mais marginalizados: os negros, os de origem latinoamericana, os idosos, os pobres, facilitando o caráter elitista do sistema político norteamericano e do poder nos EUA.

O voto obrigatório faz com que, pelo menos uma vez a cada dois anos, todos sejam obrigados a interessar-se pelos destinos do país, do estado, da cidade, e sejam convocados a participar da decisão sobre quem deve dirigir a sociedade e com que orientação. Isso é odiado pelas elites tradicionais, acostumadas a se apropriar do poder de forma monopolista, a quem o voto popular “incomoda”, os obriga a ser referendados pelo povo, a quem nunca tomam como referência ao longo de todos os seus mandatos.

Desesperados por serem sempre derrotados por Getúlio, que era depositário da grande maioria do voto popular, a direita da época – a UDN – chegou a propugnar o voto qualitativo, com o argumento de que o voto de um médico ou em engenheiro – na época, sinônimos da classe média branca do centro-sul do país – tivesse uma ponderação maior do que o voto de um operário – referência de alguém do povo na época.

O voto obrigatório é uma garantia da participação popular mínima no sistema político brasileiro, para se contrapor aos mecanismos elitistas das outras instâncias do poder no Brasil.

21 abril 2010

Absurdo!

Por unanimidade, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) concedeu à juíza Clarice Maria de Andrade, de Abaetetuba (PA) o máximo prêmio que alguém pode almejar.

A cuja não mais trabalhará. Ficará em casa recebendo salário pago pelo contribuinte até morrer. E tudo porque mandou colocar uma menor numa cela de cadeia com diversos marmanjos.

A garota foi violentada. A juíza foi premiada. E a sociedade que pagará o salário da juíza foi sacaneada. É a lei feita pelos próprios magistrados que criam regras bandidas para se garantirem.

Leia mais sobre a safadeza dos magistrados aqui.