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31 março 2013

Palavras de Domingos Dutra


"Essa comissão é dos ciganos, é da comunidade gay, da comunidade homossexual, das lésbicas, das prostitutas. Porque eles são brasileiros, pagam impostos, votam, e merecem ter a proteção do Estado Brasileiro.
Essa comissão é dos evangélicos, dos católicos, daqueles que não tem religião, daqueles que professam religião de matriz africana.
(...)
Por isso, em nome disso, eu não posso concordar que a nossa gestão termine com a população proibida de chegar à nossa comissão. Por isso, eu saio, renuncio, abro mão, não fico numa sessão aonde o povo brasileiro foi excluído." - Domingos Dutra

Essa comissão não é mais a Comissão dos Direitos Humanos.

15 novembro 2011

Plantando a semente do reacionarismo

Embora as pessoas que me conheçam já saberem a minha opinião sobre os eventos recentes ocorridos na Universidade de São Paulo, resolvi esperar os fatos se desenrolarem para, enfim, escrever sobre o assunto, sem precipitações. Em primeiro lugar quero declarar que acho que foi um erro a decisão dos setenta e poucos alunos de invadir a reitoria, mesmo sendo derrotados em assembléia. O direito de manifestação é legítimo, mas o respeito pelo desejo expresso pela maioria deve ser princípio para quem se dispõe à luta política, mesmo que defendam reivindicações justas.

Seria redundante voltar a afirmar que o Reitor Rodas se aproxima do fascismo ao tomar decisões autoritárias sem ouvir os representantes de estudantes, professores e funcionários. Da mesma forma, repetitivo seria lembrar o despreparo da PM para lidar com estudantes e o seu ignóbil entendimento da mensagem dada pelos legisladores para a mudança da lei de entorpecentes: Usuário não é bandido, e que a invasão da universidade pela tropa de choque da PM foi a decisão mais imbecil que o reitor e o governador poderiam ter tomado. Isso tudo já foi bem dissecado em excelentes artigos de colegas blogueiros e jornalistas independentes.

O argumento de que a maioria dos estudantes estaria contra as decisões do movimento estudantil é uma falácia daqueles que são incapazes de criar maiorias. Estes são uma meia dúzia de reaças que se intitulam porta-vozes daqueles que não se mobilizam. A maioria não se mobiliza porque vivemos em uma sociedade alienada, que encantada pela baboseira do que vê e lê na mídia, vota em branco e nulo nas eleições. Se existe uma maioria contra, que compareçam às assembléias e façam valer seus interesses, ou se não suportam conviver com “diferenciado” elejam representantes para os DAs e DCE, criem um movimento dissidente, decidam em assembléias válidas, e aí então reivindiquem a representação dos estudantes se conseguirem reunir mais alunos, porque é assim que está baseada a nossa democracia, no sistema de representatividade, e os que são ativos politicamente decidem por aqueles que se omitem.

O que está me preocupando bastante é a forma como os reacionários estão saindo dos porões na esteira da cobertura jornalística neolacerdista, e se valendo do uso de adjetivação pejorativa usada por analistas políticos ávidos para agradar aos patrões, sentem-se a vontade para expor os mais sórdidos desejos autoritários. A baixaria estimulada e permitida na área de comentários dos grandes portais se equivale no caso da USP e da cobertura da enfermidade do Lula. Uma lixeira sem tampa que rebaixa o homem na escala de evolução.

As palavras “desordeiro” e “maconheiro” são repetidas à exaustão em uma técnica de desqualificação que deixaria Goebbels envaidecido. A sensação que dá é que voltamos aos anos 70 e o que durante algumas décadas era considerado vergonhoso de se defender, hoje é motivo de orgulho. Uma pesquisa recente mostra que a parte da população que preza os valores democráticos passou a menos de 50%, e mesmo que se possa questionar a validade científica desses dados, o resultado mostra que devemos começar a nos preocupar.

Quanto mais nos afastamos do período da Ditadura, mais gerações que não conheceram os horrores causados por esta, atingem faixa etária em que se iniciam na atividade política, e com a popularização da internet, a tendência que sejam cada vez mais precoces e totalmente sujeitos a manipulação de opinião pelas cobras criadas. O duro mesmo é ver determinadas pessoas que se dizem de esquerda apoiando repressão violenta contra estudantes, em que parte do caminho nos desvirtuamos? mas a Comissão da Verdade é uma oportunidade única de refrescar a memória dos mais velhos e ensinar aos mais jovens, que se hoje têm o direito de espinafrar o governo, isso foi conquistado às duras penas por aqueles que lutaram contra a repressão.

O perigo maior é a médio e longo prazo, quando as sementes que eles estão plantando agora derem seus frutos estragados. Está muito claro para mim, que com esse bombardeio de reacionarismo estão cultivando uma sociedade ainda mais conservadora e reacionária que a que temos hoje. Os movimentos sociais e militância que não abram os olhos ou veremos em breve um filme de roteiro repetido.

14 novembro 2011

Combater a corrupção é combater o capitalismo

Por Lúcia Rodrigues

A corrupção virou tema recorrente nos noticiários da dita grande mídia nos últimos meses. Todos os veículos se esforçam para fazer crer que realmente combatem essa chaga que se espalhou pela sociedade e que são os verdadeiros paladinos da ética. Seria cômico se não fosse trágico.

Assim como os corruptos e os corruptores, o quarto poder é uma das peças dessa engrenagem que movimentam a corrupção em nosso país. A corrupção é endêmica ao capitalismo, um não vive sem o outro. E como os donos da grande mídia não propõem uma ruptura com o sistema, conclui-se que o discurso propagandeado em defesa da ética é falso, oco, vazio.

Por isso, o discurso dos comentaristas e o noticiário em geral têm sempre um enfoque moralista, conservador e não revela o que, de fato, está por trás e motiva a corrupção.

Caros Amigos sai da vala comum e leva ao leitor uma visão que realmente explique qual é o elemento causal e irradiador da corrupção que se alastra na sociedade brasileira. Para isso, entrevistou o cientista político Francisco Fonseca, professor do curso de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, o juiz José Henrique Rodrigues Torres, presidente do Conselho Executivo da Associação dos Juízes para a Democracia (AJD), o historiador Osvaldo Coggiola, professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP), e o dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores, Valter Pomar.

Qual deve ser a postura da esquerda em relação aos casos de corrupção no sistema capitalista?

Francisco Fonseca - A esquerda necessita olhar o tema da corrupção sob dois ângulos: a luta pelo caráter republicano do Estado e ter clareza quanto à opacidade do Estado brasileiro, o que permite a apropriação dos recursos pelas diversas elites. Nesse sentido, a agenda da esquerda deve ser, ao meu ver: máxima transparência do Estado, por meios diversos, e apoio à participação da sociedade organizada no Estado.

José Henrique Rodrigues Torres – A corrupção tem sido encarada e enfrentada, atualmente, e há muito tempo, no Brasil e, especialmente, no contexto capitalista mundial, sob a égide do neoliberalismo, como um problema de desvio de condutas individuais. E a resposta a essas condutas desviantes, segundo esse discurso dominante, deve ser buscada no âmbito do direito, especialmente do direito penal. Esse é o discurso da direita. Um discurso sedutor, que tem encantado até mesmo a esquerda, que o reproduz. Assim, todas as soluções propostas, tanto pela direita como pela esquerda, são intrassistêmicas e fi cam reduzidas ao âmbito moralista individualizador. Seu objetivo, oculto pela direita e não percebido pela esquerda, é preservar o sistema e, especialmente, sob a ótica neoliberal, transferir o seu controle à iniciativa privada. O corrupto seria, então, um ser imoral ou até mesmo naturalmente amoral, mas o sistema é bom e deve ser preservado. E, como a corrupção seria algo intrínseco ao serviço público, corrupto por natureza, caberia aos setores privados assumir o controle. A direita e a esquerda, assumindo de forma paradoxal um discurso hegemônico, pregam, então, que a corrupção é fruto do desvio moral de condutas individuais e que a impunidade a alimenta. O corrupto é, assim, demonizado em sua individualidade moral e, obviamente, a punição seria a principal solução. Todavia, é preciso lembrar que o direito penal é um forte instrumento de sustentação da estrutura de poder e de controle social. Aliás, é a parte mais repressiva e violenta desse sistema de controle: criminaliza os marginalizados para mantê-los distantes do centro de poder e criminaliza as pessoas dos próprios setores hegemônicos para que sejam mantidos e reafi rmados no seu rol e não realizem condutas prejudiciais aos seus interesses. Tudo é feito, enfi m, com o objetivo de salvar o sistema político e econômico. E o direito penal, no seu processo seletivo de controle social, atinge, primacialmente, os vulneráveis, integrantes dos setores periféricos, ou seja, aqueles que não têm a proteção do sistema, que praticam crimes grotescos e que, por isso, são visibilizados e vulnerabilizados. Mas, há, ainda, aqueles que, posto que integrantes dos setores hegemônicos, praticam também crimes grotescos, o que também os visibiliza e vulnerabiliza. E, fi - nalmente, há aqueles que, por perderem a proteção do sistema, são atingidos também. Aí estão os corruptos. Tem razão Camões: “perdigão que perde a pena, não há mal que não lhe venha”. Enfi m, o Sistema Penal, que é essencialmente simbólico e irracional, realiza, na sua atuação pragmática seletiva, um violento controle dos setores marginalizados, possibilita o incremento da faculdade sancionatória arbitrária dos agentes policiais, fomenta a imposição de penas e execuções sem processo e alimenta o conteúdo repressivo e punitivo de ações institucionais que se escondem nos oníricos encantamentos de discursos terapêuticos ou assistenciais. Portanto, é propositadamente falsa a afi rmação de que é possível acabar com a corrupção, adotando-se um sistema punitivo prevencionista, especial ou geral.

Osvaldo Coggiola - Lutar contra o Estado burguês, cuja estrutura é inseparável da corrupção, assim como o crime é inseparável do capitalismo, sendo inclusive uma fonte de lucros para o capital (indústria do seguro, da segurança, etc.), como mostrou Karl Marx n´ ”O Capital”. Por um Estado-Comuna, pelo governo operário e camponês. Mostrar o vínculo entre corrupção, negócios, e acumulação capitalista. O problema é que 99% da esquerda renunciou a essa luta, porque renunciou à luta contra o Estado burguês, considerada “utópica”.

Valter Pomar - Denunciar, combater os efeitos e eliminar as causas. Para o quê se faz necessário entender as raízes da corrupção.


Fonte: Caros Amigos

13 novembro 2011

Mídia golpista e o Ministério dos Esportes

Como o blog estava parado não tive a oportunidade de comentar os ataques ao ministro Orlando Silva e ao PCdoB, mas nunca é tarde para comentar algo tão deplorável como foi o desenrolar desses acontecimentos que acabaram por tirar Orlando do ministério.

Foram apenas 12 dias de histérica e criminosa campanha de calúnias operada por forças reacionárias defensoras de interesses escusos e que teve por veículo a mídia golpista antidemocrática e antinacional, o ministro do Esporte, Orlando Silva, que também é membro destacado do Partido Comunista do Brasil e de sua direção nacional, entregou o cargo.

“Defenderei minha honra com mais ênfase”, disse sereno e firme Orlando Silva, com dignidade, em coletiva à imprensa ao deixar o gabinete presidencial, onde se reuniu com a mandatária Dilma Rousseff no final da tarde do dia 26/10. Demonstrando elevado nível de compreensão política, agregou: “Nosso Partido não pode ser instrumento de nenhum tipo de ataque ao governo, por isso o resultado da reunião é que a melhor solução é me afastar”.

O PCdoB sai política e ideologicamente fortalecido do episódio, com a consciência tranquila e a convicção reafirmada na inocência, honestidade e integridade de Orlando Silva. As acusações que lhe fizeram revelaram-se falsas. Foram formuladas por fonte desqualificada que se encontra nas barras da Justiça respondendo por diversos crimes. E amplificadas pelos meios de comunicação interessados em fabricar crises políticas e criar um ambiente de instabilidade no país.

A gestão de Orlando Silva e do PCdoB à frente do Ministério do Esporte elevou esta pasta a outra dimensão, obtendo assinalados êxitos políticos e administrativos. Pôs em marcha programas sociais na área do esporte, que se somam ao conjunto das políticas públicas iniciadas por Lula e que têm continuidade agora com a presidente Dilma, e trouxe para o país eventos de dimensões mundiais, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Ressalte-se ainda as políticas aplicadas e o sucesso que alcançaram tanto em termos de difusão massiva de práticas desportivas, quanto nos recordes alcançados pelo Brasil em competições e o aumento do número de nossos atletas com nível de desempenho internacional, como fica evidente no desempenho da delegação brasileira nos Jogos Pan-Americanos, em curso no México. Sem contar ainda, a defesa, da meia entrada para estudantes nos estádios, e a proibição da venda de bebidas alcoólicas dentro dos ambientes de jogos e aplicação do Estatuto do Idoso no evento.

A crise fabricada em torno do Ministério do Esporte seguiu o roteiro cínico e macabro que se repete nos últimos meses, com o qual as forças reacionárias do país, que têm na mídia conservadora e monopolizada o seu principal porta-voz, pretendem ditar a pauta política e condicionar as ações do governo.

No episódio fizeram-se ouvir também as vozes de tempos antediluvianos, sob a forma de um anticomunismo grosseiro verbalizado por direitistas empedernidos, mas não só. Também atacaram o partido dos comunistas, com linguagem abjeta, escribas que, sendo democratas e defendendo genericamente causas progressistas, em momentos de crise acabam revelando seu verdadeiro caráter. É algo próprio do burguês ilustrado e do social-democrata, um traço cultural de certos círculos políticos e intelectuais do Brasil, cujo poder corrosivo não se deve subestimar.

Ficou claro que não se tratou de um ataque exclusivo a uma figura impoluta como Orlando Silva e ao PCdoB. Na alça de mira dos reacionários e sua mídia está o próprio governo da presidente Dilma, que pretendem inviabilizar.

As forças políticas que conduzem o governo precisam tomar consciência disso, para não alimentarem a ilusão de que a demissão de Orlando Silva freia a ofensiva da direita. Esta e seus meios de comunicação continuarão fabricando calúnias e fomentando crises, pois seu verdadeiro objetivo é desestabilizar e, se puderem, derrubar o governo.

Não se pode nem se deve capitular a essas forças, ceder aos seus propósitos. A presidente Dilma tem autoridade, prestígio e força, credenciais para se pôr na contraofensiva e liderar, com os partidos progressistas, entre eles o PCdoB, a mobilização do povo brasileiro para aprofundar as conquistas políticas e sociais iniciadas por Lula e que ela está empenhada em prosseguir e aprofundar.

Os comunistas e seus quadros mais destacados, de cabeça erguida, seguem na sua trincheira de luta, cada vez mais empenhados nos esforços para construir um Brasil democrático, soberano, progressista, na perspectiva do socialismo.

30 julho 2011

Copa do Mundo e Hipocrisia

Jamais imaginei que um dia o esporte, especialmente, o futebol, que gosto muito desde minha infância, fosse cooperar tanto para a concreticidade da hipocrisia no Brasil. Pensar que a Copa do Mundo um dia seria no Brasil foi um sonho acalentado por muitos esportistas brasileiros, mas, jamais, associado ao contra-senso.

Aliar o futebol ao interesse de todas as classes sociais do país é uma lógica. Por conta da difusão desse esporte Brasil afora, se vê, um campo de futebol de várzea em cada rincão, um estádio razoável aqui outro ali, um belo estádio nas capitais, e, assim por diante. É inegável a força do futebol no Brasil. Mas tem que ser dito: é uma força de lazer que se tornou mercadológica. Unicamente.

Mesmo assim, continuo gostando e curtindo o futebol, e o meu time do coração.

O que não posso fazer e admitir que futebol e a Copa do Mundo no Brasil seja interesse público. Uma verdadeira hipocrisia.

Direi o motivo. Em que pese os benefícios diretos e indiretos que a Copa do Mundo trará ao país, em especial às capitais onde acontecerão os jogos, jamais se deve tratar o assunto como essência. Do contrário, se estará fazendo um viés deplorável de política pública.

A essência é: cuidar sempre da coisa pública sob a ótica de que saúde, educação, moradia, segurança pública, transporte, infra-estrutura e lazer (digo lazer no sentido de prática por todos os cidadãos) são elementos indissociáveis do interesse público.

Independentemente de Copa do Mundo, esses elementos deveriam ser tratados como prioridade máxima. Não são.

Jamais uma Copa do Mundo poderia receber o tratamento privilegiado frente aos verdadeiros interesses do povo brasileiro. COPA DO MUNDO “NÃO É DE” E “NÃO É” INTERESSE PÚBLICO. Que não se cometa um crime por meio de um viés.

O nosso povo sofre diariamente diante de filas intermináveis para atendimentos de saúde em hospitais com estruturas podres; sofre pela falta de eficiência na segurança pública, convivendo com mortes brutais nas ruas e dentro de suas próprias casas; se vê indignado com ruas esburacadas, com falta de esgotos e água tratada; vê seus filhos freqüentando escolas sucateadas; dentre outras. Isso, por si só, não é o verdadeiro motivo do interesse público? Sim, isso “é de” Interesse Público, e, priorizar “é” Interesse Público. É tornar essência a política verdadeira do combate e da solução. É proporcionar dignidade com dignidade, independente de Copa do Mundo, independente do motivo ser o turista.

Por isso, CIDADÃO BRASILEIRO, SE INDIGNE! JAMAIS ACEITE DIZER, AFIRMAR, QUE UMA COPA DO MUNDO NO BRASIL “É” OU “É DE” INTERESSE PÚBLICO! Pode até ser qualquer outro interesse, como sócio-recreativo, mercadológico, etc.

Os benefícios decorrentes não podem ser vistos como de Interesse Público, pois são benefícios conquistados por meio de um viés político. Logo, não podem ser ditos de Interesse Público, ainda que de grande utilidade.

19 março 2011

Obama no Brasil: protesto das massas ou plateia adestrada?


A visita do presidente dos Estados Unidos ao Brasil, neste fim de semana, conta com uma forte ação midiática que objetiva sensibilizar o nosso povo. O site da embaixada pede que brasileiros enviem mensagens de boas vindas e promete presentear as melhores com camisas, livros e outros presentes. Corporações de mídia foram contratadas – ou a cobertura que vemos seria apenas reflexo da simpatia? – para divulgar, diariamente, a vinda de Barack Obama. Tudo com muito entusiasmo e leveza, dando um ar “cool” ao mega-evento e fazendo parecer que se trata de uma grande oportunidade oferecida, gratuitamente, pelos sempre benevolentes vizinhos do norte. A visita já ganha contornos de mega-evento, com direito a show musical e tradução simultânea.

A ação midiática tem sua razão de ser. Quando Bush visitou o Brasil, em 2007, milhares de pessoas protestaram no Brasil inteiro. Pude acompanhar as manifestações no Rio de Janeiro, onde consulado estadunidense ficou todo pintado, assim como bancos ianques. O lado triste é que nossa polícia, composta por gente do nosso povo, agrediu os manifestantes.

E é exatamente isso que pode acontecer quando Obama chegar ao Rio no próximo domingo, dia 20. Se milhares saíram às ruas da capital fluminense quando Bush esteve em Brasília, o que podemos esperar quando Obama pisar no Rio? É certo que Obama não é Bush, mas se os ideólogos ianques estivessem tranquilos não haveria necessidade de investir tanto em ações midiáticas.

O Rio de Janeiro tem características específicas, assim como qualquer outra capital. No caso do povo fluminense, ex-capital da República, ex-capital da Colônia, palco de uma mistura infinita de religiões, raças e ideologias, acabamento perfeito da miscigenação de que fala Darcy Ribeiro. Por tudo isso e muito mais, trata-se de uma região cuja capacidade de rebelião não pode ser subestimada. Em 2007, uniram-se partidos de esquerda, movimentos sociais e grupos anarquistas contra a chegada de Bush. Deram uma demonstração clara de que parte expressiva do povo brasileiro não aceitava a política de guerra preventiva, Guantánamo e Abuh Graib de Bush. A aliança será mantida agora, quatro anos depois? Que fenômeno político terá mais relevância no dia 20: o protesto das massas ou a plateia inebriada pelas palavras e imagens sedutoras das corporações de mídia?

A visita de Obama acontece num momento de declínio do império ianque, que apesar disso ainda é a maior economia e a maior potência militar do planeta. No plano interno, o presidente estadunidense tem tido dificuldades de levar adiante sua agenda, ou pelo menos a agenda que foi prometida na campanha. Os EUA seguem invadindo Iraque e Afeganistão, e não conseguiram implementar um sistema público de saúde universal, duas de suas principais bandeiras de campanha.

Em artigo recente, o cineasta Michael Moore destaca um terceiro ponto: o roubo do povo pelos agentes do sistema financeiro, que com a “crise” de 2008 receberam bilhões de dólares do erário com a chantagem de que sem essa transferência haveria uma quebradeira generalizada.

O Brasil, por outro lado, é o país com maior população, maior PIB, maior território e mais riquezas naturais da América Latina. Nos últimos oito anos, milhões de pessoas saíram da miséria e ingressaram na classe média. O mercado de consumo avança, o emprego cresce e as obras não param em todo o território nacional.

No cenário internacional, o Brasil é um país cada vez mais respeitado. Saímos da posição de expectadores para a condição de um ator relevante. Somos escutados, requisitados para mediar conflitos, duplicamos nossas representações diplomáticas em todo o mundo e temos boas probabilidades de ingressar como membro efetivo do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Nos últimos anos, ao contrário do que certos colunistas afirmam, o Brasil não manteve uma posição de enfrentamento aos EUA. Nós simplesmente passamos a expressar nossas próprias opiniões – isso sim incomodou àqueles que só enxergam o Brasil seguindo ordens de Washington.

Na nova ordem multilateral seguida pelo Brasil, ampliamos nossas relações comerciais com nossos vizinhos latino-americanos e estabelecemos novas negociações com outros parceiros, especialmente países africanos e árabes. O eixo Sul-Sul foi fortalecido, de modo que, proporcionalmente, foi reduzida a relevância (e com isso a influência) da relação com os Estados Unidos.

Nessa conjuntura, Obama deve vir ao Brasil com um discurso de conciliação. Vai querer ganhar o apoio do “gigante do Sul” para a sua esfera de influência, e dessa forma reforçar sua disputa global com China e União Europeia. No plano interno, uma aproximação comercial com o gigante do sul pode dar uma sobrevida ao país em crise. Mas quais seriam as consequências para a integração latino-americana?

Vamos acompanhar com atenção as movimentações das ruas e as articulações diplomáticas, com a certeza de que em jogo estão os interesses não apenas de Brasil e Estados Unidos, mas de todo o povo latino-americano.

28 fevereiro 2011

O destino do Brasil

Por Emir Sader

O Brasil precisa e merece grandes espaços de debate, de reflexão, de trocas de opiniões, de elaboração coletiva. As universidades têm tido um papel, mas não tem sido suficiente. A mídia deixou de ser pluralista, abrigando praticamente só porta vozes com uma única concepção.

Precisamos de centros, de novas publicações, de um clima de efervescência no debate. Confesso que às vezes o fervor das polêmicas não favorece a assimilação dos argumentos alheios. Eu mesmo devo dizer que às vezes me deixo levar por essas polarizações, pelo fervor colocado no debate.

(Toda a entrevista à FSP foi falseada pela editorialização da matéria. Ao invés de primeiro ouvir o entrevistado, com perguntas e respostas, e depois colocar a opinião do jornal, essa mistura, com off, gerou um monstrengo, pelo qual não posso me responsabilizar. As referências, antes de tudo à Ministra da Cultura, mas também ao Gil e ao Caetano, apareceram de forma totalmente deturpada. Não houve intenção nenhuma de desqualificação, seguir polemizando nesses termos é ser vítima desse tipo de matéria, de que todos já fomos vítimas: dizer que disseram que alguém disse. Diz-se, entre outras coisas e se repete no dia seguinte, que eu fui favorável a fuzilamentos em Cuba. Que o jornal mostre as provas, porque é mais uma mentira.)

Não se pode dizer que contamos hoje com interpretações que dêem conta do que o Brasil se tornou, depois de duas décadas de grandes transformações. A visão amplamente difundida pela mídia se revelou não menos amplamente equivocada, a ponto que a vítima privilegiada do seus ataques – Lula – saiu do governo como o presidente mais popular da história do país, quem mais logrou unificar o Brasil, tendo apenas 4% de rejeição – se supõe que seja a cifra lograda pela mídia.

Por outro lado, a academia tampouco pode exibir um leque de interpretações que permitam suprir esses vazios. Os estudos avançam, se multiplicam, mas é como se as grandes abordagens, as grandes interpretações se mostrassem mais complexas e difíceis de abordar.

A imprensa brasileira nunca foi um espaço suficientemente pluralista para abrigar esses debates, mas em alguns momentos – particularmente na passagem da ditadura à democracia – se aproximou de ser um espaço que abrigou uma parte razoável dos progatonistas da vida brasileira. O alinhamento em bloco contra o governo Lula foi fatal para a imprensa, que perdeu interesse, objetividade na informação e espaços de reflexão antagônica.

Quando novas gerações se incorporam aos debates, mediante as distintas formas da nova mídia, ampliam como nunca no Brasil a possibilidade de participação de um número incalculável de pessoas, de setores e regiões distintos, o que permite a democratização das discussões de forma inaudita. Não se concebem mais conferências, mesas redondas, seminários, que não sejam transmitidos por internet on line, para que um número cem ou mil vezes maior de pessoas possam participar, intervir com pessoas, para que a gravação possa ficar acessível, ser vista posteriormente ou ser gravada.

Entramos na segunda década de um século que promete ser ímpar para o Brasil e a América Latina. Os processos históricos têm avançado mais rapidamente que a reflexão e as propostas conscientes e globais sobre seus destinos. Existem muitas interrogações de cuja resposta depende o tipo de sociedade que vamos ter ao final da primeira metade do século. É um desafio aberto, mas ao nosso alcance, contanto que preenchamos a distância entre a prática e a teoria, os processos reais, a consciência deles.

31 agosto 2010

Por que Serra está perdendo as eleições

Ganhar – ou perder – uma eleição depende, antes de tudo, do consenso dominante no período eleitoral. Este, por sua vez, não é construído durante o processo eleitoral. Ele pode ter variações na forma das campanhas expressá-lo. Mas ele se constrói antes, vai se construindo ao longo do tempo e se cristaliza no processo eleitoral.

Nesse sentido, o governo que termina seu mandato é determinante. A escolha do novo governante é, em primeiro lugar, o julgamento do desempenho do governo, conforme a percepção – deformada pela mídia – da população. O governo Sarney saía desmoralizado – por múltiplas razões, principalmente por ter frustrado o impulso democrático saído das lutas contra a ditadura e plasmado, em parte na nova Constituição -, o que permitiu um vazio em que se inseriram candidatos críticos a esse governo: Collor e Lula, entre eles.

As eleições de 1994 tiveram o enfrentamento de dois projetos de novos consensos, diante do fracasso de Collor. Lula, favorito no inicio da campanha, representava o binômio justiça social (expresso nas Caravanas em que o Lula percorria o país) e ética na política (representada pelo seu primeiro candidato a vice, Bisol). O primeiro aspecto vinha da denúncia das desigualdades marcantes da sociedade brasileira, a segunda do acúmulo de denúncias contra o governo Sarney e, posteriormente, na campanha vitoriosa pelo impeachment do Collor.

Se não tivesse assumido quase um ano antes das eleições o Ministério da Economia do governo Itamar, FHC não teria tido possibilidade de contrapor a essa primeira proposta, a do ajuste fiscal, assentada na projeção da inflação, no lugar da desigualdade, como problemas central do Brasil. Ajuda pela mídia – que apoiou-o plenamente, desde sua ida ao Ministério e durante todos os seus dois mandatos -, FHC venceu as eleições, o que voltaria a fazer quatro anos depois, impulsionado pelo consenso da estabilidade monetária e sempre apoiado pelo monopólio midiático.

A ampla rejeição do governo FHC – que chegou a ter índices de apoio de apenas 18% - abriu o espaço para o voto antineoliberal que Lula representava. Serra representava a continuidade, por mais que tentasse disfarçar e perdeu.

Perde agora de novo, diante do sucesso do governo Lula e do consenso novo assumido pelo país – desenvolvimento econômico e social. O povo se deu conta que a estabilidade monetária tinha se esgotado, sem que as promessas de distribuição de renda, de retomada do crescimento econômico, de modernização do país, tivessem sido cumpridas. Ao contrário, ao se limitar a malabarismos monetaristas, a própria estabilidade monetária se perdia, com o retorno da inflação, a desigualdade havia aumentado, a economia havia entrado em profunda e prolongada recessão, os direitos sociais da maioria foram expropriados – em primeiro lugar, a carteira de trabalho, mas também a degradação das políticas de educação e de saúde pública, entre outras -, a privatização tinha sido um negócio para favorecer grandes empresas privadas, a deterioração do Estado tinha feito piorar ainda mais o nível de vida da massa da população.

Perde o Serra e perdem os tucanos porque assumiram o modelo neoliberal no Brasil, promoveram o Estado mínimo, diminuírem os gastos públicos especialmente em políticas sociais, para obedecer às Cartas de Intenções que assinaram com o FMI, fizeram uma política internacional de costas para a America Latina e o Sul do mundo e de subserviência com os EUA, reprimiram e criminalizaram os movimentos sociais. Em suma, governaram com as elites, para uma minoria, apoiados no monopólio privado da mídia.

Por isso, assim que Lula pôde governar, ficaram evidentes as diferenças, que se espelham no amplo favoritismo da Dilma.

11 julho 2010

"Brasil pode estar decidindo este ano o seu futuro na primeira metade do século", comenta sociólogo Emir Sader

Teórico de orientação marxista, o sociólogo Emir Sader não esconde sua predileção pela candidata Dilma Rousseff. Em entrevista à DW em Berlim, onde participou de debate, ele analisa a campanha eleitoral e o governo Lula.

Como diretor do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e secretário-executivo da ONG Clacso (Conselho Latino-americano de Ciências Sociais), sediado em Buenos Aires, o sociólogo Emir Sader esteve em Berlim a convite da Fundação Friedrich Ebert, participando de uma mesa-redonda sobre as eleições presidenciais no Brasil. Em entrevista à Deutsche Welle, Sader fez uma análise da campanha eleitoral e do governo Lula.

Quais as mudanças mais marcantes do governo Lula em relação ao seu antecessor?

Emir Sader: Uma das duas mais importantes mudanças em relação ao governo anterior é o lugar do Brasil no mundo. Em vez de ser um aliado subordinado aos EUA, o Brasil é um aliado dos países do sul e da América Latina em particular. Em segundo lugar, está a mudança social do Brasil. Pela primeira vez na história do país, diminuiu a desigualdade, como consequência das políticas sociais do governo, que são prioritárias. O modelo econômico é estreitamente ligado à distribuição de renda.

Quais são, na sua opinião, os defeitos e as qualidades do governo Lula?

As boas coisas são justamente as mudanças em relação ao governo Cardoso, enquanto as coisas que manteve são ruins, tais como a hegemonia do capital financeiro, a autonomia de fato do Banco Central, taxas de juros muito altas. Também o modelo de agronegócios ligado à soja, exportação, transgênicos, falta de democracia nos meios de comunicação. Monopólio da terra, monopólio do dinheiro, monopólio da palavra – são esses os três temas que são ainda pendentes.

Não se pode dizer que é um "luxo" ter três candidatos identificados com a esquerda disputando a eleição?

O fato de o Brasil ter um consenso a favor da prioridade das políticas sociais, por exemplo, torna difícil o retorno de um governo que volte a ser economicista, neoliberal, mercantil, a favor do mercado, com Estado mínimo. Isto também é uma consequência indireta do sucesso do governo Lula.

Quais são, na sua opinião, os temas mais importantes a serem abordados na campanha eleitoral, que começou oficialmente nesta semana, e que os problemas o Brasil ainda tem que vencer?

O tema da importância do papel do Estado. A direita acha que o Estado foi importante durante a crise. Passada a crise, ela acha que deve haver mais mercado e menos Estado. Também o tema do fortalecimento ou não das políticas de desenvolvimento, o peso das políticas sociais. E também temas que são difíceis de resolver, como o narcotráfico, segurança pública, que são temas para os quais não foram encontradas alternativas de superação, além de outros, como a violência e o consumo de drogas entre a juventude.

Em que ponto Dilma será igual e em que ponto será diferente de Lula, caso ganhe as eleições?

Ela mesma disse que duas coisas seriam prioridade. Primeiro, a infraestrutura brasileira. O governo Lula melhorou a atividade econômica e a política social, mas tudo que é investimento estrutural no país ainda está faltando. Em segundo lugar, além da política de distribuição de renda, há a política habitacional, de saneamento, transporte e educação. Quer dizer, coisas qualitativas, não apenas de distribuição de renda.

Como o senhor vê a atual relação da Alemanha com o Brasil?

Infelizmente, houve um grande distanciamento do Brasil em relação à Europa e vice-versa. O que foi positivo, porque aumentou a importância da China, da Índia. Isso acabou sendo bom pra nós, porque pagamos um preço menos duro pela crise, já que a demanda de quem mais está em crise, a Europa e os EUA, diminuiu.

Deveríamos retomar uma relação de intercâmbio maior. Mas é preciso que a Europa mude também. A América Latina e o Brasil estão mudando, e a Europa está com uma política ainda antiga. Um pacote recessivo como esse que o governo alemão coloca – também o grego, o espanhol e o francês – é para nós passado. Não deu certo. Não se supera crise com recessão, mas sim com distribuição de renda e criação de empregos. Se é possível aprender alguma coisa com a experiência brasileira e latino-americana, é isso.

O senhor vê com otimismo a era pós-Lula?

Ganhando a Dilma, o que é provável que aconteça, acho que sim. A derrota que vai se impor à direita vai abrir espaço para um crescimento muito forte do movimento popular. Ou seja, o Brasil pode estar decidindo este ano o seu futuro na primeira metade do século. Porque pode estar projetando uma sociedade solidária, justa, o que não teve até agora.

Como o senhor vê as críticas da oposição à candidatura Dilma devido ao suposto uso da máquina pública?

É uma bobagem. A propaganda do governo FHC se fazia em plena campanha eleitoral. Ele foi candidato, depois teve seu candidato. Isso antes já acontecia abertamente. Trata-se de um pequeno contraponto em relação ao brutal monopólio da mídia no Brasil. Todos os grupos econômicos da mídia no Brasil apoiam o Serra. Ele detém o monopólio privado.

O Lula não faz discurso para o povo brasileiro, pois o povo brasileiro não ouve diretamente o Lula. A imprensa é que escolhe o que ela quer e transmite então ao povo. O presidente mais popular do Brasil não consegue falar para o povo. A intermediação é feita pela imprensa privada. Esse é que é o grande problema, a falta de democracia, não o uso do aparelho público.

Entrevista: Márcio Damasceno - Revisão: Carlos Albuquerque

18 maio 2010

PT reage e nega apoio à Roseana Sarney

Em entrevista coletiva corrida na tarde desta segunda-feira na sede do diretório estadual do PT, vários dirigentes do partido rechaçaram a notícia divulgada pelo jornal O Estado do Maranhão garantindo o apoio do PT à reeleição de Roseana Sarney, e avisaram que tudo não passou de mais uma tentativa de golpe engendrada pelo grupo de Washington Luís.

Em nota assinada pelo vice-presidente da legenda, Augusto Lobato, e pelo secretário de organização, Bira do Pindaré, foi reafirmado o apoio à candidatura de Flávio Dino, deliberado na instância máxima do partido, no estado, no dia 26 de março passado.

Além da nota, os dirigentes petistas desafiaram ao grupo comandado pelo suplente de deputado federal Washington Luís a divulgar a lista com as 90 assinaturas dos delegados em apoio à filha do senador José Sarney.

Embora sem o conhecimento dos nomes, três delegados do PT, Manoel Silva Araújo (Bacabal), Marcelo de Sousa Belfort (Ribamar Fiquene) e Maria de Lurdes Moreira (Buriti Bravo) se anteciparam e avisaram que embora seus nomes possam constar do documento que entrega o PT para Roseana Sarney, eles estão contra e desautorizam a utilização de seus nomes para tais fins.

Vale destacar que no encontro de Táticas Eleitorais ocorrido em março, Manoel Araújo votou pelo apoio à Roseana Sarney, mas que estaria retirando o seu nome da lista, em defesa da legalidade e da democracia interna do PT.

O vice-presidente Augusto Lobato ressaltou que a lista não tem nenhum valor legal para reverter o resultado do encontro, e que portando, não acredita que a direção nacional vá acatá-la.
- Se eles querem mudar o resultado, que façam a intervenção, que botem a cara e mostrem para o País o que estão fazendo com o PT do Maranhão - avisou.

Lobato vai mais além e diz que se alguém tem alguma fatura a pagar para Sarney que pague sozinho, mas que não o faça com a história de luta do PT no Maranhão.

O secretário de organização, Bira do Pindaré, garantiu que o encontro nos dias 21 e 22 de maio está mantido, e que servirá apenas para definir as candidaturas do partido para vice-governador, Senado, Câmara e Assembleia Legislativa.

- Será uma continuidade do encontro anterior que já definiu o nosso caminho em outubro - disse.
Pré-candidata a vice na chapa de Flávio Dino, Terezinha Fernandes, aproveitou para alertar que o encontro do próximo final de semana não rediscutirá o que já foi decidido.

- E se quiserem rediscutir o que já foi decidido, nós não vamos deixar em respeito à maioria dos nossos militantes e à democracia interna do nosso partido - avisou.

O encontro de maio faz parte do calendário nacional do PT, que estabelece prazo até 6 de junho para a definição das candidaturas.

- Eles estão querendo confundir a opinião pública e aplicar um golpe no PT, fruto do desespero da governadora Roseana Sarney diante do crescimento de Flávio Dino - observou Sílvio Bembem, que é um dos coordenadores da campanha encabeçada pelo PC do B.

Durante a coletiva surgiu a informação que os secretários de estado do PT sarneysista, Anselmo Raposo (Educação), Edmilson Santos (Desenvolvimento Social) e Antônio Heluy (Trabalho) aviajaram esta tarde para Brasília acompanhados de seus adjuntos para entregar o “abaixo-assinado” à direção nacional do PT para consolidar o golpe armado clandestinamente no último domingo em um hotel no bairro do São Francisco.

Resta saber se as pasagens foram pagas pelo governo do Estado.
Veja a nota oficial do PT.

Comunicado

Considerando as informações veiculadas no jornal O Estado do Maranhão, edição de 17.05.10, de suposto apoio do PT à candidatura de Roseana Sarney, comunicamos que:

a) O PT já decidiu em Encontro Estadual, instância máxima de deliberação do partido, coligar com o PCdoB e PSB e apoiar a candidatura de Flávio Dino ao governo do Estado do Maranhão;
b) A reunião organizada pelo grupo de Washington com Roseana Sarney não traduz a decisão do PT, mas apenas a do grupo, que se nega a acatar a decisão do Encontro Estadual;

c) Esta é a quinta tentativa do grupo de Washington contra a decisão do Encontro de Tática Eleitoral, numa atitude de profundo desrespeito às instâncias partidárias e ao próprio regimento interno do PT;

d) O grupo de Washington já apresentou recursos à direção nacional, pediu intervenção no Maranhão, defendeu a retirada da candidatura de Flávio Dino, propôs a revisão da decisão anterior em novo encontro e, agora, quer substituir o encontro do PT por reunião de tendência e abaixo assinado;

e) Vamos informar a direção nacional do PT o que está acontecendo no Estado do Maranhão e solicitar que esta instância partidária faça respeitar as normas partidárias e a decisão do Encontro Estadual;

Para consolidar as conquistas do governo Lula, o PT decidiu em encontro unificar o campo democrático e popular em torno da candidatura Dilma à Presidência da República e Flávio Dino ao governo do Maranhão, com o apoio dos movimentos sociais.

ESTA ESTRELA É NOSSA!

São Luís, 17 de maio de 2010.
Augusto Lobato
Vice-presidente do PT
Bira do Pindaré
Secretário de Organização


Link Original

09 maio 2010

Europeus e latino-americanos repudiam fala anti-Mercosul de Serra

A Cúpula Eurolatino-americana de Microempresas e Economia Social, realizada de 3 a 6 de maio em Cáceres, na Espanha, aprovou uma moção de repúdio às declarações do candidato tucano à Presidência do Brasil, José Serra, caracterizando o Mercosul como uma “farsa” e defendendo a sua “flexibilização”.

A nota defende o bloco como o “mais importante acordo econômico e cultural da América Latina”. Além disso, adverte para os riscos de, no atual quadro de crise internacional e com um enfraquecimento da integração, as grandes corporações ampliarem seu poder em detrimento das empresas latino-americanas.

O encontro de Cáceres aprovou também a criação da Eurolatim — Associação Eurolatinoamericana de Micros, Pequenas e Médias Empresas. O objetivo da iniciativa é buscar uma maior integração social e econômico entre os povos da Europa e da América Latina.

Leia abaixo a íntegra da nota aprovada na reunião de cúpula:



Nota de Repúdio

Os empresários latinoamericanos reunidos em Cárceres, Espanha entre os dias 03 e 06 de Maio para a “Cumbre Eurolatinoamericana de Microempresas y Economia Social” que resultou na Fundação da Eurolatim 98% – Associação Eurolatinoamericana de Micros, Pequenas e Médias Empresas que tem como objetivo principal buscar uma integração social e econômica entre os povos alicerçadas nos princípios da sustentabilidade, repudiam fortemente as manifestações do candidato a Presidência da República do Brasil, Sr. José Serra, que propõe substituir o Mercosul e as demais alianças regionais por tratados de livre comércio.

Considerando:

• O Mercosul é o mais importante acordo econômico e cultural da America Latina.
• No atual momento de crise o Brasil sair do Mercosul é abrir espaço para que as grandes corporações internacionais ampliem seus interesses em detrimentos das empresas LatinoAmericana.

Esperamos que o candidato venha a público e esclareça sua posição que só interessa àqueles que sempre produziram pobreza e desigualdades em nosso continente.

Assinam esta nota:

Alampyme – Associalção Latino Americana de MIPYMEs

Alampyme – Capítulo México

Ampyme – Asemblea de Pequenã e Mediana Empresas de Argentina.

Anmype – Asociación Nacional De Micro Y Pequeñas Empresas de Uruguay

Camara de la Pequeña Industria del Guayas de Equador.

Confagan — Cofederación Nacional de Agricultores y Ganaderos de Venezuela.

Conupia – Confederación Nacional Unida de La Pequeña y Micro Empresas do Chile.

Febopi – Federación Boliviana de La Pequeña Industria

Fepami – Federación Paraguaya de Micro Empresários

Upta — Unión de Profesionales Trabajadores Autónomos de Espanha

Fundación para La Internacionalización do Soft Livre de Espanha


Da Redação, com informações da Carta Maior



05 maio 2010

Sobre Marina Silva

"Marina está no guichê para adquirir o bilhete da baldeação rumo ao comboio demotucano. Ontem, no Rio, Gabeira antecipou-se ao anunciar que Serra e a senadora farão sua estréia, juntos,em junho, na convenção que sancionará seu nome ao governo do Estado pela coalizão do conservadorismo com o conservacionismo. A fusão que dá rosto eleitoral ao ambientalismo de direita no país, terá ainda o DEMO Cesar Maia como candidato ao Senado. "O Serra tem agora um palanque bom, forte, no Rio', resumiu o tucano Márcio Fortes, ao lado de Gabeira, sem disfarçar o papel subordinado do PV, como pé-de-palanque da nova tentativa tucana de derrotar Lula e voltar ao poder. "O Gabeira não é mais candidato do PV. Ele é candidato da coligação", traduziu Márcio Fortes, um dos coordenadores da campanha do Serra no Rio e possível vice de Gabeira. Nas negociações que se arrastam desde janeiro, o PSDB teria prometido ao afoito Gabeira a embaixada em Paris, caso Serra vença o pleito. À Marina, naturalmente, fica assegurado espaço & simpatia no tratamento dispensado pela Folha e Organizações Globo -- desde que a antiga companheira de Chico Mendes acene alegremente da janelinha do vagão anti-Lula. Gabeira já reservou o assento à ex-ministra: a primeira parada é a convenção estadual. Piuiiiiii..."
Fonte: Carta Maior (04/05)

03 maio 2010

O que Serra quer para o Brasil

O Conversa Afiada reproduz artigo da Carta Maior:



Serra contra o Mercosul: o auge das direitas loucas na América Latina



Serra propõe substituir o Mercosul e as demais alianças regionais por tratados de livre comércio. A retirada política do Brasil significaria um decisivo aumento da influência dos EUA na América Latina, abrindo o caminho para suas estratégias de desestabilização e conquista. No esquema Serra, sem a rede protetora de aproximações e acordos políticos, econômicos e culturais, o Brasil teria só um caminho em sua política comercial: o da competição selvagem apoiada por salários e impostos reduzidos, na miséria crescente do grosso de sua população, no apequenamento do Estado e na expansão das estruturas repressivas para manter a ordem social e política. A análise é de Jorge Beinstein.



As declarações hostis ao Mercosul feitas por José Serra diante de empresários da Federação de Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), deveriam ser tomadas como um sinal de alarme não só no Brasil, mas também na maior parte dos países da região. Como assinalou recentemente um jornal de Buenos Aires, essa grosseria está em aberta contradição com o fato de que cerca de 90% das exportações do Brasil são compradas pelos países do Mercosul e de outros da América Latina (1). As declarações do candidato direitista aparecem como um convite ao suicídio do sistema industrial brasileiro que ficaria exposto à feroz concorrência na América Latina de países desesperados por aumentar suas vendas. A China, por exemplo, que acaba de registrar em março deste ano seu primeiro déficit comercial mensal do último qüinqüênio e cujas exportações (em sua quase totalidade industriais) caíram em 2009 cerca de 16% em comparação a 2008. Mas também de gigantes econômicos como Alemanha e outras economias européias de alto e médio desenvolvimento, ou dos Estados Unidos, todos eles acossados pela contração do comércio internacional provocada pela crise.



A proposta de Serra de revisar os acordos do Mercosul (considerado por ele como uma farsa e um obstáculo), apontando, como ele mesmo proclama, para sua “flexibilização”, reduzindo ao mínimo o processo de integração econômica, política e social até chegar mesmo a sua eliminação foi recebida com grande alegria pelos círculos mais reacionários da América latina e dos Estados Unidos. A publicação América Economia deu à notícia uma imagem de ruptura apocalíptica, destacando “José Serra reafirma que não quer que Brasil continue no Mercosul” (2).



Se Serra chega à presidência e aplica sua promessa de liquidação do Mercosul, estaria dando um terrível golpe contra uma das maiores proezas econômicas do Brasil: o boom de suas exportações que passaram de 58,2 bilhões de dólares em 2001 para 197,9 bilhões de dólares em 2008 (um aumento de 340%) (3). Como se sabe, as exportações brasileiras caíram cerca de 22% em 2009 devido à crise internacional, mas essa queda teria sido ainda maior sem a existência da retaguarda latinoamericana, sem esses países vizinhos ligados ao Brasil por múltiplos laços econômicos, políticos e culturais. Romper ou “flexibilizar” esses laços em um contexto internacional como o atual, marcado por uma crise que vai se agravando seria uma loucura. O Brasil estaria dando de presente uma importante porção dos mercados regionais a competidores de todos os continentes.




Integrações periféricas, deterioração das velhas potências centrais



A proposta de Serra vai na contramão da tendência global dominante rumo às integrações periféricas que aparecem como respostas às crescentes dificuldades das economias das potências centrais (EUA, União Européia e Japão). Neste início de 2010, a China firmou um acordo de integração comercial com os países do Sudeste Asiáico agrupados na ASEAN (4), envolvendo mercados onde vivem quase 1,9 bilhão de pessoas. Poucos meses antes, foi firmado um acordo similar entre a ASEAN e a Índia. Somados os dois acordos e as populações envolvidas (China, Índia e países da ASEAN) chegamos a cerca de 3 bilhões de pessoas, ou seja, cerca de 45% da população mundial. Esse processo está relacionado também com a integração entre China e Rússia, onde um dos baluartes é a Organização de Cooperação de Shangai que agrupa as ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central e tem como observadores em processo de incorporação a Índia, o Paquistão, Mongólia e o Irã.



Este movimento de integração eurasiática incluindo mais da metade da população mundial está mudando não só a estrutura do comércio internacional, mas também suas relações políticas e militares, e é hoje o coração do processo de despolarização mundial, do fim da unipolaridade governada pelo Império norteamericano.



A outra tendência integradora importante é a da América Latina que, partindo do Mercosul, foi se ampliando por meio de diversas iniciativas, chegando a Unasul (390 milhões de habitantes e um Produto Bruto regional próximo a 3,9 trilhões de dólares) e à recentemente criada Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (CELC). O vínculo entre esses dois fenômenos regionais é o BRIC, convergência entre Brasil, Rússia, Índia e China, onde o Brasil é precisamente o elo que os articula estrategicamente.



Esta nova realidade vai muito mais além do nível comercial ou mesmo econômico e está expressa no surgimento de um imenso espaço de poder periférico cujos países líderes têm conseguido resistir muito melhor ao impacto da crise do que as grandes potências capitalistas. Enquanto os EUA vão chegando a um nível insustentável de dívida pública (próxima a 100% do Produto Interno Bruto) e a União Européia aparece muito golpeada pela crise grega, detonadora de um desastre regional muito maior, a América Latina vem se “desendividando”: em 2003, sua dívida externa pública representava cerca de 60% do Produto Bruto regional; em 2008, esse índice caiu para 30%. A região conseguiu isso crescendo e exportando, com várias de suas economias chave afastando-se da ortodoxia neoliberal e da hegemonia dos Estados Unidos.



Em resumo, a periferia está se integrando, suas nações comercializam cada vez mais entre si, enquanto os países ricos (a área imperialista do mundo)aparecem atingidos pela crise com seus mercados internos estagnados ou em contração. No entanto, a ascensão da periferia não é inexorável. Dependerá da forma pela qual responda a uma crise sistêmica global que se aprofunda, dependerá de sua capacidade de superar barreiras, das armadilhas de um sistema capitalista mundial regido por potências decadentes e hegemonizado pelo parasitismo financeiro e, sobretudo, no longo prazo, de sua capacidade para libertar-se dessa pesada teia de aranha civilizacional (de raiz ocidental e burguesa) que a condenou ao subdesenvolvimento.




As direitas locais



O que Serra propõe é um caminho perverso: sair do processo integrador periférico e submeter-se completamente às turbulências do mercado internacional sem nenhum tipo de escudo protetor regional ou periférico trans-regional. Deste modo, o Brasil passaria a fazer parte da estratégia de recomposição geopolítica imperial dos EUA, onde um dos capítulos decisivos é a desestruturação das integrações periféricas tanto na Eurásia quanto na América Latina.



Serra propõe substituir o Mercosul e as demais alianças periféricas (Unasul, BRIC, etc.) por um conjunto de tratados de livre comércio. A retirada política do Brasil significaria automaticamente um decisivo aumento da influência dos EUA na América Latina, abrindo o caminho para suas estratégias de desestabilização e conquista. O contexto regional de estabilidade obtido na década passada se deterioraria rapidamente. Um só caso exemplifica bem este perigo: a Bolívia esteve até bem pouco tempo correndo o risco de entrar em uma guerra civil, devido à convergência golpista de sua direita neofascista e do aparato de inteligência do governo Bush. O golpe cívico-militar que detonaria essa catástrofe foi, em boa medida, evitado pela intervenção política dos países do Mercosul, que deram um apoio decisivo para o governo constitucional de Evo Morales. A derrubada da democracia neste país seguramente teria animado tentativas similares em outras nações como Paraguai, Equador e mesmo Argentina convertendo uma parte importante do entorno geográfico do Brasil em uma área caótica, infestada de frentes reacionárias que finalmente conseguiriam afetar sua estabilidade democrática e sua dinâmica produtiva.



No esquema Serra, sem a rede protetora de aproximações e acordos políticos, econômicos e culturais, o Brasil teria só um caminho para prosseguir em seu desenvolvimento comercial em um mundo cada vez mais difícil: o da competição selvagem respaldada por salários e impostos reduzidos, ou seja, apoiada na miséria crescente do grosso de sua população (começando pelos assalariados e seguindo pelas classes médias), no apequenamento do Estado e, inevitavelmente, na expansão das estruturas repressivas destinadas a manter a ordem social e política; em resumo, na deterioração acelerada das liberdades democráticas. Como vemos, o processo começa com um discurso comercial e culmina necessariamente com um modelo político claramente autoritário.



Deste modo, Serra passa a formar parte do leque de políticos latinoamericanos de raiz neoliberal, nostálgicos das velhas relações neocoloniais com o Império. Estes dirigentes superados pelas tendências integradoras e autonomizantes hoje dominantes na periferia lançaram-se a uma reconquista desesperada dos governos. O tempo joga contra eles, a realidade vai lhes escapando, o senhor imperial que desejam servir está enredado em seus próprios e muito graves problemas, tornando-o cada vez mais irracional. Há um aumento da irracionalidade nos sistemas de poder do centro decadente do mundo e também em seus serventes periféricos.



As direitas loucas, degradadas, infestadas de brotos fascistas estão agora em moda na América Latina. Em certo sentido, expressam o passado (neoliberal), mas, sobretudo, constituem a promessa de um futuro sinistro.



Que outra coisa é a direita boliviana que deseja impor um regime de apartheid? Pensemos na caótica direita Argentina cujo único programa é o retorno aos planos de ajuste e a repressão dos movimentos sociais, na direita golpista paraguaia e seus delírios ditatoriais, na direita venezuelana que já ensaiou um golpe de estado fascista e inviável e que está disposta a repetir a façanha.



Seus projetos de ordem elitista e autoritário poderiam ser vistos como parte da decadência cultural dos círculos de poder que comandaram o mundo na era neoliberal, a era da hipertrofia do parasitismo financeiro, da depredação desenfreada de recursos naturais e humanos. Esses setores estão agora mergulhados em uma crise sistêmica que vai desorganizando-os, jogando-os em uma posição caótica, não só no nível de suas estruturas econômicas, mas também no plano psicológico, ou que os torna cada vez mais perigosos e imprevisíveis.



(*) Economista argentino, professor na Universidade de Buenos Aires. É autor, entre outros livros, de “Capitalismo senil, a grande crise da economia global”.




NOTAS


(1) “Jornal argentino questiona posição de Serra sobre Mercosul”, Carta Maior, 22/04/2010.



(2) “José Serra reafirma que no quiere que Brasil continúe en el Mercosur”, América Economía, 21/04/2010.



(3) IPEA, “Brasil em desenvolvimento”, Volume I, 2009.



(4) Membros da ASEAN; Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Brunei, Vietnã, Laos, Birmânia y Camboja



Tradução: Katarina Peixoto

30 abril 2010

O líder mais influente do mundo

Lula encabeça lista da Revista Time como o líder mais influente do mundo.

Quando os brasileiros primeiro elegeram Luiz Inácio Lula da Silva presidente, em 2002, os barões do país [robber barons] checaram o tanque de combustível de seus jatos privados. Eles haviam tornado o Brasil um dos países mais desiguais da terra e então parecia ter chegado a hora da “vingança”. Lula, 64, era um filho genuíno da classe trabalhadora da América Latina — na verdade, um membro fundador do Partido dos Trabalhadores — que tinha sido preso por liderar uma greve.

Quando Lula finalmente conquistou a presidência, depois de três tentativas fracassadas, ele era uma figura familiar na vida nacional. Mas o que levou à política? Foi seu conhecimento pessoal do quanto é duro para muitos brasileiros trabalhar para sobreviver? Ser forçado a deixar a escola na quinta série para ajudar a família? Trabalhar como engraxate? Ter perdido um dedo em um acidente de trabalho?

Não, foi quando aos 25 anos de idade ele viu a esposa Maria morrer durante o oitavo mês de gravidez, junto com o filho, por não poderem pagar um tratamento médico decente.

Há uma lição aqui para os bilionários do mundo: deixem as pessoas terem bom atendimento médico e elas vão causar muito menos problemas para vocês.

E aqui há uma lição para o resto de nós: a grande ironia da presidência de Lula — ele foi eleito para um segundo mandato em 2006 e vai servir até o fim do ano — é de que quando ele tenta colocar o Brasil no Primeiro Mundo com programas sociais como o Fome Zero, desenhado para acabar com a fome, e com planos para melhorar a educação disponível para os trabalhadores do Brasil, faz os Estados Unidos parecerem cada vez mais um país do velho Terceiro Mundo.

O que Lula quer para o Brasil é o que um dia chamamos de Sonho Americano. Nós, nos Estados Unidos, onde o 1% no topo da escala tem mais riqueza financeira que os 95% da base combinados, estamos vivendo em uma sociedade que está ficando rapidamente cada vez mais parecida com a do Brasil.

Qlique aqui e veja a lista completa.


Fonte:
revista Time