O fato: Bridge pegou.
Saga, a detetive sueca, cabelos loiros sempre soltos, uma cicatriz no lábio que a torna ainda mais atraente, já rivaliza com Sarah Lund, de The Killing, outra série escandinava de sucesso internacional.
Nos últimos dias, principalmente no mundo digital, muito se falou de dois vídeos. Um com uma excelente produção e atores globais, diga-se de passagem, com um razoável conteúdo contra a construção de Belo Monte e, outro, realizado em sua maioria por estudantes da Unicamp (Universidade de Campinas) e, também, com excelente conteúdo, entretanto, em defesa da construção da Usina Hidrelétrica no Pará. Em ambos a questão central discutida é o meio ambiente. Neste sentido, gostaria de ampliar as provocações ou, quem sabe, talvez, procurar discernir algo.
As palavras “ecologia” e “meio ambiente” mantêm um grau elevado de neutralidade diante dessa realidade. Elas se tornaram impróprias e perigosamente inadequadas, de forma que seria necessário substituí-las por outras mais apropriadas. Isso só poderá ser feito no quadro de uma crítica renovada do capitalismo que vincularia, de forma indissociável, a exploração dos dominados pelos possuidores de riqueza e a destruição da natureza e da biosfera.
Para entender as relações do capitalismo com suas condições de produção “externas”, é necessário retornar às origens e aos fundamentos sociais desse modo de produção e de dominação social. A guerra travada pelo capital para arrancar o campesinato à terra e para submeter a atividade agrícola inteira e exclusivamente ao lucro, da qual vivemos novos episódios hoje em dia, é uma guerra fundadora do novo modo de produção e das formas sociais de dominação que lhe são próprias.
Marx foi quem melhor explicou as consequências, digamos, ecológicas do capitalismo. Na longa quarta seção do livro I do Capital, sobre a produção da mais-valia relativa, ele trata da exploração dos operários agrícolas e industriais no quadro de desenvolvimentos mais amplos sobre a relação entre a agricultura e a grande indústria. Uma leitura minimamente atenta indica até que ponto, para Marx, a ideia de progresso está subordinada à de revolução: “Com a crescente preponderância da população das cidades que ela aglomera em grandes centros, a produção capitalista, de um lado, acumula a força motora da história; de outro lado, ela destrói não somente a saúde física dos operários urbanos e a vida intelectual dos trabalhadores rústicos, mas ainda perturba a circulação material entre o homem e a terra”.
Hoje como ontem, em condições históricas distintas, toda a questão está na capacidade de auto-organização dessa população, majoritariamente urbana, de vendedores de sua força de trabalho a ponto de ser capaz de desempenhar esse papel de “força motriz da história”, isto é de sujeito político decidido a acabar com o capitalismo.
Na ausência ou numa situação de paralisia de tal sujeito político, o que domina é a consolidação e a acentuação de um processo em que “cada progresso da agricultura capitalista é um progresso não somente na arte de explorar o trabalhador, mas também na arte de depenar o solo; cada progresso na arte de aumentar a fertilidade por um certo tempo torna-se um progresso na ruína das fontes duradouras da fertilidade. Quanto mais um país, os Estados Unidos por exemplo, se desenvolve na base da grande indústria, mais rápido ocorre esse processo de destruição”. E Marx terminava com essa frase da qual se fez uma utilização teórica bastante, ou mesmo muito limitada: “A produção capitalista só desenvolve a técnica (…) esgotando as duas fontes das quais jorram toda a riqueza: a terra e o trabalhador”.
Portanto, a necessidade da construção de grandes centrais hidrelétricas na Amazônia deriva, não só porque deverá arrefecer o movimento de aumento do preço da energia no mercado atacadista, mas também, para a manutenção do multifacetado capitalismo brasileiro. É intrínseco ao capital sua acumulação e produzir uma enxurrada de mercadorias, por isso, a energia é essencial, não somente para a utilização dos “i tudo”, mas para sua produção. Além do que, me desculpem meus(minhas) amigos(as) verdes, mas não é possível discutir energias alternativas no capitalismo, isso é, tão somente só, paliativos e marketing ambiental.
O ator Ary Fontoura é um dos globais que participa da campanha satirizada pelos alunos da Unicamp. Imagem: reprodução Youtube
Por fim, o vídeo dos globais me coloca em dúvida. São contra a construção de Belo Monte, pois a oferta de energia aumentará e, por sua vez, de acordo com sua distribuição (neste sentido, o Estado é essencial para regular, distribuir e interferir nesse tipo de mercado), tenderá a diminuir aqueles(as) que vivem nas trevas? Ou porque são realmente contra o processo produtivo que estamos vivendo, ou seja, o capitalismo? Se, for pela segunda opção, sugiro um segundo vídeo; com o seguinte tema: Produzir o quê? E para quem?
Será que alguém toparia?
Fonte: Carta Capital
O Mito da caverna de Platão foi escrito no livro VII de A República mais ou menos 2000 anos antes de Cristo. O que me faz acreditar que ele ainda tem algo de importante hoje? Por que este diálogo de Sócrates com Glauco e Adimato é tão lido e tido como uma das melhores metáforas de todos os tempos? E sobretudo, como podemos interpretá-lo hoje, relacionando-o com o poder instituído e a mídia? Estas e algumas outras questões perpassaram esta minha pequena reflexão.
Como já citei, o mito da caverna foi uma metáfora que Platão utilizou para demonstrar em seu diálogo, através de Sócrates, o quanto os cidadãos estavam presos às crendices e superstições. Sinteticamente? E reelaborando? o mito conta que haviam três homens dentro de uma caverna. Ambos estavam virados para o fundo dela. Nasceram e cresceram assim. Ficavam contemplando a escuridão e apenas um feche de luz lhes era possível enxergar. Contudo, certo dia, um destes, voltou-se para o outro lado e quase que cegado pela claridade vista lá do fundo, foi acostumando seus olhos até que conseguira, aos poucos, sair da caverna. Vislumbrado com tantas cores, com a natureza e a quantidade de coisas diferentes que havia fora da caverna, voltou para contar aos seus amigos. Mas, ambos não acreditaram nele e revoltos com tanta mentira, o mataram!
Platão divide o mundo em duas realidades: a sensível, que se percebe através dos sentidos e a inteligível (ou mundo das idéias). O mundo dos conceitos é onde está toda a verdade e o mundo sensível é apenas uma cópia imperfeita dele. O Bem é a verdade maior e abaixo dele estão as verdades absolutas, fixas, eternas e imutáveis. Para ele, as cadeiras, por exemplo, que sentamos diariamente, são apenas cópias imperfeitas Da Cadeira. Ou seja, apesar de todos os modelos de cadeiras do mundo apresentarem diferenças, existe a cadeira, que congrega em si as características das quais foram copiadas as cadeiras sensíveis. E é assim com tudo o que percebemos no mundo.
É perfeitamente possível relacionar a filosofia platônica, sobretudo o mito da caverna com nossa realidade atual. Para constar, nossa sociedade contemporânea é constituída basicamente do cristianismo e do capitalismo, e o mundo, portanto, numa visão cristã, está dividido em mundo das idéias (céu) e mundo sensível (cotidiano) - o inferno cristão, que parece ter sido tirado da idéia de mundo sensível de Platão, veio depois, vamos desconsiderá-lo aqui -. E numa visão capitalista, o mundo das idéias, ou ideal, parece ser a satisfação de todas as necessidades financeiras e o mundo sensível, sua privação.
A partir desta leitura, posso fazer uma reflexão extremamente proveitosa. Apesar do cristianismo estar muito forte ainda hoje e ter muita influência, inclusive política e midiática, vou deixá-lo de lado também, afim de focar-me em nossa prioridade, no momento: o capitalismo x mídia.
Na verdade, a idéia que trarei de capitalismo seria mais apropriada se chamado de modernidade, pois não estarei me referindo apenas ao sistema financeiro, mas todas suas conseqüências e influências. Quando surgiu, o capitalismo se opôs radicalmente à Idade Média e propunha elevar a humanidade a um patamar superior, melhorá-la, dando acesso ao suprimento das necessidades básicas a todos os seres humanos. Mas, como bem sabemos, não foi o que aconteceu. Nunca houve tantas barbáries na história do ocidente, tampouco tanta exclusão social e degradação humana e do ambiente. Hoje, sei que se ele continuar desenvolvendo-se trará nossa extinção.
Todavia, grande parte das pessoas do mundo todo, não estão muito preocupadas com isso, ou sequer se deram conta do tamanho do problema para todos nós. Isso graças, em grande parte à mídia. Voltando à metáfora da caverna, o capitalismo utiliza-se dos grandes meios de comunicação para poder criar e perpetuar a caverna para a grande massa. De que forma? Uma das formas mais conhecidas é criando necessidades, tidas como essenciais e depois, vendendo suas soluções. Ou seja, hoje é necessidade básica ter computador com acesso à internet. Quem não o tem, está excluído da sociedade, de forma que até o emprego fica difícil conseguir e sendo assim, sem emprego, sem dinheiro pra poder sanar suas necessidades, indigno de participar do convívio social. E o que já não me surpreende é a relevância do mito, por exemplo: hoje existe muita informação denunciando a alienação que causam as novelas (e afins), criando realidades paralelas e preocupações alheias; sobre a forma que os políticos também se utilizam da mídia para esconder a usurpação do poder , as corrupções, etc. Mas, as pessoas, em geral, cotidianamente matam estas informações, escolhendo ainda o fundo da caverna. Será que por uma pré-disposição a serem enganadas? Por mero comodismo? Não nos é possível saber ainda.
Talvez, com o capitalismo continuando a desenvolver-se, com ajuda da mídia, surgirá outra ou outras espécies (até advindas da nossa, quem sabe?) e que dirão: como aqueles humanos conseguiram ficar tanto tempo dentro da caverna?
Achei uma HQ bastante interessante sobre este tema, leia e reflita:










Embora as pessoas que me conheçam já saberem a minha opinião sobre os eventos recentes ocorridos na Universidade de São Paulo, resolvi esperar os fatos se desenrolarem para, enfim, escrever sobre o assunto, sem precipitações. Em primeiro lugar quero declarar que acho que foi um erro a decisão dos setenta e poucos alunos de invadir a reitoria, mesmo sendo derrotados em assembléia. O direito de manifestação é legítimo, mas o respeito pelo desejo expresso pela maioria deve ser princípio para quem se dispõe à luta política, mesmo que defendam reivindicações justas.
Seria redundante voltar a afirmar que o Reitor Rodas se aproxima do fascismo ao tomar decisões autoritárias sem ouvir os representantes de estudantes, professores e funcionários. Da mesma forma, repetitivo seria lembrar o despreparo da PM para lidar com estudantes e o seu ignóbil entendimento da mensagem dada pelos legisladores para a mudança da lei de entorpecentes: Usuário não é bandido, e que a invasão da universidade pela tropa de choque da PM foi a decisão mais imbecil que o reitor e o governador poderiam ter tomado. Isso tudo já foi bem dissecado em excelentes artigos de colegas blogueiros e jornalistas independentes.
O argumento de que a maioria dos estudantes estaria contra as decisões do movimento estudantil é uma falácia daqueles que são incapazes de criar maiorias. Estes são uma meia dúzia de reaças que se intitulam porta-vozes daqueles que não se mobilizam. A maioria não se mobiliza porque vivemos em uma sociedade alienada, que encantada pela baboseira do que vê e lê na mídia, vota em branco e nulo nas eleições. Se existe uma maioria contra, que compareçam às assembléias e façam valer seus interesses, ou se não suportam conviver com “diferenciado” elejam representantes para os DAs e DCE, criem um movimento dissidente, decidam em assembléias válidas, e aí então reivindiquem a representação dos estudantes se conseguirem reunir mais alunos, porque é assim que está baseada a nossa democracia, no sistema de representatividade, e os que são ativos politicamente decidem por aqueles que se omitem.
O que está me preocupando bastante é a forma como os reacionários estão saindo dos porões na esteira da cobertura jornalística neolacerdista, e se valendo do uso de adjetivação pejorativa usada por analistas políticos ávidos para agradar aos patrões, sentem-se a vontade para expor os mais sórdidos desejos autoritários. A baixaria estimulada e permitida na área de comentários dos grandes portais se equivale no caso da USP e da cobertura da enfermidade do Lula. Uma lixeira sem tampa que rebaixa o homem na escala de evolução.
As palavras “desordeiro” e “maconheiro” são repetidas à exaustão em uma técnica de desqualificação que deixaria Goebbels envaidecido. A sensação que dá é que voltamos aos anos 70 e o que durante algumas décadas era considerado vergonhoso de se defender, hoje é motivo de orgulho. Uma pesquisa recente mostra que a parte da população que preza os valores democráticos passou a menos de 50%, e mesmo que se possa questionar a validade científica desses dados, o resultado mostra que devemos começar a nos preocupar.
Quanto mais nos afastamos do período da Ditadura, mais gerações que não conheceram os horrores causados por esta, atingem faixa etária em que se iniciam na atividade política, e com a popularização da internet, a tendência que sejam cada vez mais precoces e totalmente sujeitos a manipulação de opinião pelas cobras criadas. O duro mesmo é ver determinadas pessoas que se dizem de esquerda apoiando repressão violenta contra estudantes, em que parte do caminho nos desvirtuamos? mas a Comissão da Verdade é uma oportunidade única de refrescar a memória dos mais velhos e ensinar aos mais jovens, que se hoje têm o direito de espinafrar o governo, isso foi conquistado às duras penas por aqueles que lutaram contra a repressão.
O perigo maior é a médio e longo prazo, quando as sementes que eles estão plantando agora derem seus frutos estragados. Está muito claro para mim, que com esse bombardeio de reacionarismo estão cultivando uma sociedade ainda mais conservadora e reacionária que a que temos hoje. Os movimentos sociais e militância que não abram os olhos ou veremos em breve um filme de roteiro repetido.
Apenas duas agências de notícias norteamericanas relataram a rápida resposta cubana para a crise causada pelo terremoto que abalou o Haiti. Uma delas foi a Fox News, que afirmou, erradamente, que os cubanos estavam ausentes da lista dos países caribenhos vizinhos que tinha prestado assistência. Farça midiática.
O The Christian Science Monitor (uma respeitada agência de notícias que recentemente fechou sua edição impressa), foi a única que comunicou, corretamente, que Cuba enviou 30 médicos para o Haiti.
The Christian Science Monitor, num segundo artigo, citava a Laurence Korb, ex-subsecretário da Defesa e atualmente membro do Center for American Progress, que declarou que os EUA, que lideravam os esforços de ajuda no Haiti, deveriam "pensar em aproveitar os conhecimentos da vizinha Cuba". Assinalou também que “tem alguns dos melhores médicos do mundo – deveríamos tratar de enviá-los para o Haiti”.
No que se refere aos demais meios de comunicação dos EUA, simplesmente ignoraram a Cuba.
Na verdade, omitiram-se ao não informar que Cuba já tinha cerca de 400 médicos, paramédicos e outros profissionais de saúde enviados ao Haiti para ajudar no dia-a-dia das necessidades sanitárias do país mais pobre das Américas, e que esses profissionais foram os primeiros a responder ao desastre levantando um hospital, justamente ao lado do principal hospital de Porto Príncipe derrubado pelo terremoto, assim como um segundo hospital de campanha em outra parte da cidade.
Longe de "não fazer nada" depois do desastre, como afirma a propaganda direitista da Fox-TV, Cuba tem sido um dos países que reagiram de modo mais eficiente e crucial nesta crise, pois mesmo antes do terremoto já havia criado um infraestrutura médica que foi capaz de se mobilizar rapidamente para começar imediatamente a tratar as vítimas.
Como era de se prever, a resposta de emergência norteamericana concentrou-se, principalmente, pelo menos em termos de pessoal e dinheiro, no envio da enormemente cara e ineficiente máquina militar – uma frota de aviões e um porta-aviões –, um fator que deve ser levado em conta ao examinar os 100 milhões de dólares que a administração Obama diz ter destinado para a ajuda de emergência ao Haiti.
Tendo em conta que o custo operacional de um porta-aviões, incluindo a tripulação, é de aproximadamente 2 milhões de dólares por dia, somente o envio de uma companhia a Porto Príncipe, durante duas semanas, vai consumir um quarto da anunciada ajuda norteamericana e, embora muitos dos soldados enviados certamente trabalharão na ajuda, distribuindo e custodiando suprimentos, a longa história de brutal controle militar/colonial do Haiti, inevitavelmente leva a temer que outros soldados tenham a missão de assegurar a sobrevivência e controle da elite de políticos haitianos parasitas pró-EUA.
Por outro lado, os EUA têm ignorado o dia-a-dia da permanente crise humanitária no Haiti, enquanto Cuba vem fazendo o trabalho de proporcionar atenção sanitária básica.
Não que fosse difícil encontrar cubanos em Porto Príncipe. Democracy Now! dispunha de um relatório, assim como o dispunha a revista Noticias de Cuba, com sede em Washington. O que acontece é que contar as boas ações de um país pobre e orgulhosamente comunista aos norte-americanos não é algo que os meios de comunicação corporativos daquele país estejam dispostos a fazer.